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Revolução? Não, evolução

d.r.

A Huawei voltou à carga, com um smartphone que tem características para se bater com os topos de gama da Apple e da Samsung… Mas será que a experiência de utilização está ao nível do hardware?

Esteticamente, o novo topo topo de gama da Huawei é imaculado. É verdade que faz lembrar o iPhone 7, mas isso não é pejorativo. É, na verdade, um elogio. As semelhanças notam-se, essencialmente, na forma como o chassis do Plus tem os cantos arredondados e, claro, a localização das antenas. No entanto, em nossa opinião, a Huawei conseguiu fazer melhor do que a Apple num aspeto: as duas câmaras da Leica traseiras estão mesmo integradas no chassis. Ou seja, não há quaisquer protuberâncias na tampa traseira do P10 Plus. Um feito que contribuiu muito para o aspeto final do telefone – algo ao qual também a Samsung deveria estar atenta.

Em termos estéticos, há outra grande mudança para o P9 – o anterior topo de gama deste fabricante. O botão principal está agora na parte da frente do dispositivo. A Huawei diz que a mudança resulta de dois factos: um estudo feito junto dos utilizadores e as novas funcionalidades disponibilizadas nesse botão. O estudo indicou que há uma preferência clara, mais de 80% (segundo a empresa), pelo posicionamento frontal.

Em nossa opinião, e referimo-lo na altura da análise do P9 e de outros terminais, é na parte de trás que faz mais sentido colocar o botão, porque está mais de acordo com a forma como seguramos o dispositivo – o sensor biométrico (para desbloquear o telefone com a impressão digital) fica alinhado com o dedo indicador. À frente, como criticámos na nossa análise ao Galaxy S7 Edge, o sistema obriga-nos a utilizar o polegar e a ajeitar o telefone. Não é o mais intuitivo.

A segunda razão para esta mudança está relacionada com as funcionalidades existentes no botão. Deslizar o dedo nesse botão, que tem uma superfície tátil, dá acesso às aplicações mais recentes ou o regresso ao ecrã principal. Isto também funciona na área que está logo ao lado do botão. Deslizar o dedo para cima aciona o Google Now. É um sistema que implica alguma habituação, mas que ao final de dois dias de utilização está dominado. Faz diferença? Alguma, mas não é determinante para a fluidez na interação. Em termos de chassis, estamos quase conversados. Dizer-lhe, apenas, que há uma ranhura para cartão SIM que tem, ao lado, espaço para a expansão MicroSD. Sim, é possível aumentar os 128 GB disponíveis com o telefone. Sim, leu bem. Antes das especificações devemos deixar claro que, apesar de muito bem construído e desenhado, a este P10 Plus falta-lhe um “fator UAU”. Ou seja, não é um terminal apaixonante, apesar de ser, como já referimos, premium.

Acelera, Huawei, acelera!

Os resultados dos testes colocam o P10 Plus no pódio dos smartphones mais poderosos que já nos passaram pelas mãos. O iPhone 7 Plus está em primeiro, seguido do Galaxy S7 Edge, que está, um pouco, abaixo deste novo P10 Plus. Dentro do chassis do topo de gama da Huawei bate um processador de oito núcleos produzido pelo fabricante chinês. Aliás, é o mesmo que motoriza o Mate 9, a anterior estrela máxima da Huawei. O que é que isto quer dizer? Que conseguimos jogar e ver vídeo sem problemas. Alternar entre aplicações foi tarefa fácil e demos por nós, no teste, a abrir e a fechar jogos com grande naturalidade. A isso não terá sido alheio o facto de este terminal ter 6 GB de RAM! Gostámos igualmente do som produzido. Há muito volume disponível e, curiosamente, conseguimos puxá-lo sem ter notado distorção. E foi uma boa surpresa ver como o som é dinâmico ao ponto de mudarmos a orientação do telefone e constatarmos que a experiência sonora se adapta.

Olhar para o… ecrã

Um ecrã IPS tem o benefício de ser muito mais realista nas cores que mostra. Isto faz com que tenhamos imagens menos cansativas (saturadas) onde as cores suaves são o grande destaque. À semelhança de muitos outros telefones do mercado, também o ecrã do P10 Plus é um verdadeiro imane para dedadas – aliás, todo o chassis. Por isso, prepare-se para o limpar com frequência.

Voltando ao desempenho do ecrã, não teria sido demais se a Huawei o tivesse capacitado com um pouco mais de brilho. Quando utilizámos o telefone para fazer fotos (em plena luz do Sol) não vimos, com muito conforto, o que estava a ser mostrado no visor. De resto, gostámos muito dos ângulos de visão e do facto de não termos notado ruído nas diferentes imagens que vimos neste ecrã de 5,5 polegadas.

A resolução Quad HD pareceu-nos ajustada e a densidade de píxeis também. Aliás, navegar pela mais recente versão da interface EMUI, da Huawei, é um verdadeiro prazer. O mesmo acontece na versão mais recente do Android. Continua a existir alguma personalização do sistema da Google e a pré-instalação de apps. No entanto, a Huawei fá-lo de uma forma menos intrusiva do que outros fabricantes. Do que vem de raiz, continuamos a gostar da ferramenta que otimiza o telefone (libertando recursos) e mantemos que a suíte que controla a atividade desportiva poderia ser melhorada com mais informação contextual.

Diz a Huawei que o telefone tem um “sistema de inteligência artificial” (segundo o que nos foi explicado por um dos engenheiros da empresa) que vai aprendendo com a utilização que é feita do terminal. Dessa forma, consegue distribuir o poder de processamento disponível pelas aplicações e funções que são essenciais a cada.

Durante os dias que o utilizamos para o teste não notámos quaisquer sinais de que tal estivesse a ter alguma influência na experiência. No entanto, acreditamos que será necessário uma utilização mais longa (mais de um mês, certamente) para que sejam recolhidos os dados necessários para que o sistema comece a ajustar-se às necessidades do utilizador.

Como seria de esperar, estes novos P10 utilizam a interface USB Tipo C para transferência de dados de forma mais rápida e para suportar o sistema de carregamento muito rápido da Huawei. Em menos de 50 minutos conseguimos encher os 70% que tínhamos em falta durante o teste.

d.r.

O poder das imagens

A Huawei mantém a parceria com a Leica. Por isso, são do fabricante alemão os componentes responsáveis pelo poder fotográfico do P10 Plus. Agora, com uma diferença fundamental: um sensor maior (abertura de f/1.8 neste Plus e de 2.2 no outro P10) que consegue captar mais luz. Isto faz com que as fotografias em ambientes pouco iluminados fiquem realmente melhores. E foi isso que constatámos com as imagens de teste efetuadas ao final do dia e à noite, nas quais foi notória a existência de mais definição em algumas áreas da imagem. Também notámos que as imagens com planos aproximados mostravam bastante detalhe.

Em condições ideais, as fotografias revelaram uma boa captação da cor e um contraste dinâmico bastante satisfatório. É uma evolução em relação ao modelo anterior e um claro passo na direção certa e na distância que separava o topo de gama da Huawei do iPhone 7 Plus e do Galaxy S7 Edge.

Realmente, os modos de fotografia avançados do telefone da Huawei são mais arrojados – a sensibilidade ISO vai até aos 3200, por exemplo – e a câmara frontal tem mais resolução e focagem automática, mas as fotos do iPhone 7 Plus (principalmente) continuam a ser a nossa referência no que ao de melhor se consegue obter com uma câmara de smartphone.

No entanto, este P10 Plus conseguiu resultados muito bons e entrou diretamente no nosso pódio de melhores terminais móveis para fotografia – à semelhança do que conseguiu também com o desempenho medido.

Claro que há muito mais a dizer sobre a fotografia. Precisávamos de muito mais espaço para passar a pente fino todos os modos disponíveis neste terminal. O que queremos garantir é que tanto os utilizadores avançados como os mais iniciados vão conseguir produzir, facilmente, grandes imagens com este telefone.

Aliás, os mais narcisistas devem apreciar um novo modo “retrato” disponível para a câmara frontal que torna quase impossível fazer uma selfie que fique com mau aspeto. O sistema analisa quase 200 pontos no rosto e aplica uma série de efeitos para os destacar positivamente. Também é bom saber que podemos, no modo de edição, focar ou desfocar pontos da imagem – o que resulta em fotos muito conseguidas. Só não conseguimos encontrar a anunciada integração da aplicação de edição de vídeo da GoPro, a Quik, que foi anunciado que estaria disponível dentro da Galeria do telefone.

d.r.

E a bateria?

Tem uma capacidade de 3750 mAh e deu-nos para mais de um dia de utilização. Não há milagres nisto da autonomia e uma utilização intensiva acabou por obrigar ao carregamento a meio da manhã do dia seguinte. A carregar, conseguimos 50% em cerca de 40 minutos. Isto, claro, utilizando o carregador da Huawei que suporta os carregamentos rápidos. Notámos que o telefone não aqueceu muito durante as cargas. No entanto, uma utilização intensiva (jogar durante mais de 20 minutos) já aqueceu um pouco o chassis – nada de anormal em terminais deste tipo.

Queremos destacar, para concluir, que este dispositivo é muito rápido em várias funcionalidades. Foi dos mais velozes a apanhar rede móvel de dados (e a ligar-se ao Wi-Fi) e o sensor biométrico continua a ser dos mais rápidos do mercado. Basta encostar o dedo e é imediato! A Huawei vai dar garantia de três anos para este dispositivo (um ano a mais do que é habitual) e nos primeiros seis meses vai ser possível trocar o P10 Plus (ou o P10) por um novo, caso exista uma avaria. Algo que mostra muita confiança por parte do fabricante nestes dispositivos de última geração.

Bem, e em que ficamos? O P10 Plus é, até ao momento, o melhor telefone lançado em Portugal este ano. Mas, reforçamos, não é superior ao iPhone 7 Plus e está muito equiparado ao Galaxy S7 Edge que é, definitivamente, muito mais conseguido em termos de design – nota: estamos sempre a usar estes dois terminais como comparativo porque são os melhores do mercado. E o desafio para a Huawei é exatamente este: os seus topos de gama chegam agora, mas o Galaxy S8 está já aí e já sabemos que, depois do verão, chega o novo iPhone.
O que podemos dizer aos utilizadores Android que estejam, neste momento, a mudar de telefone é que não devem procurar mais, porque o P10 Plus é a escolha acertada.

Principalmente, para quem dá prioridade à componente fotográfica. Quem pode esperar mais uns meses vai ter uma escolha mais difícil com a entrada no mercado de novos dispositivos, onde destacamos, além dos já referidos, o feliz regresso da LG aos telefones de design mais consensual com a aposta no G6.