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Pela ciência e contra “os factos alternativos” já se marcha no mundo

Milhares de pessoas já começaram a manifestar-se em todo o mundo a favor da ciência e contra aqueles que, como Donald Trump, optam pelos “factos alternativos” e pelo negacionismo climático. O objetivo é sensibilizar a sociedade para a importância da ciência para a vida no dia a dia de todos

Carla Tomás

Carla Tomás

Jornalista

Pouco passava da meia-noite em Portugal, mas já o sol ía alto do outro lado do mundo, quando arrancaram as primeiras marchas mundiais pela ciência na Austrália e na Nova Zelândia. Os cortes de financiamento aos institutos, laboratórios e universidades públicas norte-americanos e a censura aplicada pela administração Trump, nos EUA, servem de mote para que milhares de manifestantes se expressem contra “os ataques à ciência”. Vão fazê-lo ao longo deste sábado em mais de 600 cidades espalhadas pelo mundo, de Melburne, a Nova Iorque, passando por Tóquio, Lisboa, Berlim ou Buenos Aires.

Em Melburne, o ex-ministro da Ciência Barry Jones acusou os políticos de se deixarem guiar por “notícias falsas” e “factos alternativos”, numa clara alusão ao atual presidente norte-americano e aos seus conselheiros. Citado pelo jornal australiano “The Age”, Barry Jones lamentou que “os políticos sejam conduzidos por opiniões e não pelo conhecimento” e que “deixem de perguntar se é verdadeiro, preferindo saber se vende bem”.

Exibindo cartazes com as palavras “Ciência e não silêncio”, milhares de cientistas desfilaram em Sydney, lembrando que “não há plano B” para o Planeta. Numa das palestras durante a manifestação, a investigadora Angela Maharaj, do Climate Change Research Centre, da Universidade de New South Wales, afirmou que a ignorância dos políticos sobre as alterações climáticas “é um embaraço inacreditável”.

Investigadores, políticos e cidadãos marcham em Lisboa

Em Lisboa a marcha pela Ciência começa às 14 horas no Largo de São Mamede, dirige-se ao Largo do Carmo, e termina com uma Festa da Ciência, no Chiado.

Nela participam investigadores como Elvira Fortunato,diretora do CENIMAT – Centro de Investigação de Materiais e conselheira científica da Comissão Europeia, e políticos como o ministro da Ciência, Manuel Heitor ou o Comissário europeu Carlos Moedas.

A 'mãe' do transístor de papel, lembrou em declarações à Lusa que a “ciência e a tecnologia são os pilares do desenvolvimento de qualquer sociedade" e que "o investimento em ciência é um investimento no futuro, para que todos possam viver num mundo melhor”.