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Escrever por telepatia? Facebook diz que vai acontecer

Dado Ruvic

Pode parecer ficção científica, mas o Facebook anunciou esta semana que tem uma equipa reunida para criar uma forma de descodificar os pensamentos e transformá-los em palavras escritas no ecrã. Será possível?

Na quarta-feira passada, Regina Dugan, chefe do departamento de inovação do Facebook, subiu ao palco e deu uma conferência que pode ser descrita como "surpreendente" ou "revolucionária". Depois de falar da forma como os smartphones revolucionaram a vida de toda a gente, e trouxeram também algumas consequências negativas (como a não companhia das pessoas vs a sua atividade virtual), Dugan explicou o próximo passo da gigante de comunicações: desenvolver uma tecnologia que permita, em vez de termos de escrever um email com recurso a um teclado, simplesmente pensá-lo... e vê-lo surgir no ecrã.

Regina Dugan, chefe do departamento de inovação do Facebook, a falar esta semana sobre o próximo passo da empresa: conseguir escrever no ecrã apenas recorrendo ao pensamento.

Regina Dugan, chefe do departamento de inovação do Facebook, a falar esta semana sobre o próximo passo da empresa: conseguir escrever no ecrã apenas recorrendo ao pensamento.

Stephen Lam

Como? Sim, leu bem. Desenvolver uma tecnologia que permita ler os nossos pensamentos, no formato de ondas cerebrais é o novo objetivo do Facebook, que mobilizou uma equipa de 60 pessoas para o atingir. Nessa equipa, incluem-se peritos em máquinas de aprendizagem e neuroprostéticos, que têm como finalidade criar um sistema capaz de escrever 100 palavras por minuto apenas com o poder do cérebro.

"Parece impossível, mas está mais perto de ser concretizado do que possam pensar", disse Dugan, quase em jeito de profecia. Na verdade, o Facebook está a tentar desenvolver sensores não invasivos que consigam medir a atividade cerebral centenas de vezes por segundo, em alta resolução, para descodificar sinais cerebrais associados à linguagem, em tempo real. Ufa...! Dito assim, a tarefa parece mais ou menos impossível, mas a empresa parece otimista.

É claro que, se isto for conseguido, colocam-se uma série de novas questões. Por exemplo: a ideia de que o Facebook, rede social que já possui tanta informação sobre nós, venha a saber o que estamos a pensar é, no mínimo, assustadora. A empresa rebate, dizendo que "não se trata de descodificar pensamentos aleatórios, mas sim as palavras que já se decidiu partilhar com alguém, enviando-as ao centro de linguagem do cérebro". Assim, garante Regina Dugan, "poderá escrever-se uma mensagem a um amigo sem tirar o telefone do bolso, ou mandar um e-mail rápido sem ter de faltar a uma festa". Mas é claro que isto não é asim tão linear, até porque o facto de não ter de se usar o telefone não quer dizer que não tenha que se dispensar tempo a pensar sobre o que se vai escrever.

Dado Ruvic

Como se isto não bastasse, o Facebook quer ainda criar um interface cérebro-computador, que permitiria coisas tão "surreais" como a pessoa não ter de escrever o email (apenas pensá-lo), mas também não ter de o ler – mas sim senti-lo no corpo, por exemplo. Codificando uma série de palavras básicas e transformando-as em vibrações, seria possível, sentir as palavras no antebraço. Mais tarde, ainda noutro patamar, seria possível "pensar em Mandarim e sentir a resposta diretamente em espanhol", ou seja, com tradução simultânea.

"O risco de falharmos e aquele sentimento ligeiramente aterrador que o acompanha é o preço que pagamos pelo privilégio de conseguir algo tão extraordinário", confessou Regina Dugan. Mas para os utilizadores da rede social, estas novidades que parecem saídas de um filme de ficção científica também podem assustar. Afinal, como distinguirá a tecnologia o pensamento intencional do aleatório? Será possível alguém intercetar o nosso pensamento, sem que o queiramos? Estas e outras questões seguem nos próximos capítulos...