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Dicas para poupar na farmácia

Foto david clifford

Na saúde não se poupa. Diz-se até que “vão-se os anéis, mas ficam os dedos”. Sendo verdade, isso não quer dizer que seja inteligente gastar a mais pelo mesmo tratamento ou pagar o dobro, o triplo ou até 5 vezes mais pelo mesmo medicamento

Luís Poença

Em primeiro lugar, é preciso que perceba que neste momento há medicamentos de marca que são mais baratos do que os respetivos genéricos. Isso surpreendeu-me. Durante anos, venderam-nos a ideia de que os genéricos eram sempre mais baratos. Isso já não é verdade há muito tempo.

Sempre que um genérico entra no mercado, é obrigatório por lei que o preço seja pelo menos metade dos de marca. Excelente. O “problema” é que, para não perderem vendas com o medicamento de marca, os laboratórios baixam o preço inicial. Passados uns meses, o de marca é mais barato do que o genérico.

Imagine a seguinte situação hipotética: habituou-se a comprar o genérico do “seu” medicamento por ser mais barato 50% e dá-se bem com ele. Passa a pedir sempre esse na farmácia. Passados 6 meses (pensando que está a poupar 50%) está na realidade a pagar mais do que pelo medicamento original. Já vou explicar-lhe como pode evitar que isso aconteça.

Outra situação: chega à farmácia e perguntam-lhe se quer de marca ou genérico. A resposta normalmente é uma pergunta: “Qual é o mais barato?”.

Sendo o genérico mais barato, decidimos por esse - se o nosso critério for o preço, claro.

as atenção a um pormenor: para o mesmo princípio ativo há por vezes dezenas de genéricos diferentes, e cada um com o seu preço. Vai do zero (para pensionistas) a dezenas de euros. Quem lhe garante que o genérico que a farmácia lhe quer vender é mesmo o mais barato?
Pois. Não tem essa garantia. Podem dizer-lhe que é o mais barato que têm em stock na farmácia, mas pode não ser o mais barato do mercado. Aliás, arrisco dizer, em muitos casos não será.

Por lei, as farmácias são obrigadas a ter em stock 3 dos 5 genéricos mais baratos no mercado. Pela minha experiência, isso não acontece sempre. Por vários motivos: estão esgotados, estão encomendados mas ainda não chegaram ou interessa à farmácia “despachar” os que tem em armazém (mais caros). Não vou fazer juízos de valor.

Seja qual for a situação, para ter a certeza do que vai pagar use – antes de entrar na farmácia – uma app criada pelo Infarmed que se chama “Poupe na receita”. Basta ir à Google Store ou à Loja da Apple para descarregar a aplicação. É grátis.

Escreve o nome do “seu” medicamento, ou os que estão na receita, e fica logo a saber qual o laboratório mais barato para cada um deles. E é o medicamento desse laboratório que vai pedir na farmácia, e não o que lhe quiserem vender.

Também pode fazer a mesma pesquisa em Infarmed no fundo da página e por telefone, ligando para o número que está no fim de todas as receitas.

Se não tiverem o medicamento do laboratório mais barato, a farmácia é obrigada a encomendar o medicamento do laboratório que o cliente exigir, e ele terá de chegar nas 12 horas seguintes. A única exceção é se o medicamento estiver esgotado. Aí passa para o medicamento seguinte.

Um alerta: os preços da app do Infarmed estão superatualizados. Mas os preços das farmácias não. Isto quer dizer que o valor que lhe vão cobrar pode ser se embalagens antigas que foram imprimidas com os preços da altura, e não os atuais. Há diferenças que podem vir dessa situação.

Seja como for, a dica é simples. O dinheiro é seu, por isso deve tratar da sua saúde usando bem os seus recursos. Cada vez mais temos de estar atentos para saber exatamente o que queremos quando entramos num estabelecimento, seja ele qual for. Na farmácia, é a mesma coisa. Não se esqueça que ela está lá para ter lucro - e não para poupar a sua carteira.
Se lhe puderem vender um medicamento (genérico ou não) por 4 ou 5 euros, porque é que haveriam de o vender por 40 ou 50 cêntimos (ou até de graça)?