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Açores. Centro internacional de investigação arranca em 2018 e Santa Maria poderá acolher base espacial ‘low cost’

A conferência internacional está a decorrer na ilha Terceira

BRENDAN SMIALOWSKI/GETTY

Ficou claro nos debates realizados na conferência internacional “Atlantic Interactions”, que junta 260 representantes de 29 países e de organizações internacionais na Praia da Vitória, nos Açores (ilha Terceira), que o grande motor do centro internacional de investigação, que arranca em 2018, vai ser a atividade espacial

Virgílio Azevedo

Virgílio Azevedo

Redator Principal

A instalação inicial do AIR Center-Centro Internacional de Investigação do Atlântico, com sede nos Açores, deverá estar concluída em 2018, e a ratificação da sua forma jurídica e o seu plano financeiro terão de estar prontos até ao final de 2017.

Esta é uma das conclusões que vão ser aprovadas esta sexta-feira, na conferência internacional “Atlantic Interactions”, que junta 260 representantes de 29 países e de organizações internacionais na Praia da Vitória, nos Açores (ilha Terceira). O evento foi organizado pelos ministérios da Ciência e dos Negócios Estrangeiros e pelo Governo Regional do arquipélago e entre os participantes contam-se oito ministros.

Integrar a investigação do espaço, clima, energia, oceanos e ciência de dados através da cooperação entre os países do norte e do sul do Atlântico, é a aposta inovadora a nível mundial do AIR Center. Mas ficou claro nos debates realizados na conferência entre governantes, cientistas e empresários que o grande motor do centro internacional de investigação vai ser a atividade espacial, da qual dependem todas as outras áreas.

Estudo da Airbus recomenda base espacial em Santa Maria

Depois de se falar no Aeroporto Internacional das Lajes, na ilha Terceira, para a construção de uma base espacial low cost de lançamento de pequenos satélites e constelações de satélites, a mais forte candidata é a ilha de Santa Maria, propõe um estudo encomendado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES) à empresa francesa Airbus Safron Launchers.

A conferência internacional da Praia da Vitória reconhece “a oportunidade única que os Açores oferecem para o potencial desenvolvimento de serviços internacionais de lançamento para o espaço, fornecendo acesso low cost, frequente e regular ao espaço de pequenos satélites como meio para incentivar o uso do espaço no benefício do todos os cidadãos do planeta”.

Os estudos preliminares como o da Airbus “mostram que um porto espacial açoriano, em particular na ilha de Santa Maria, pode oferecer um largo leque de condições geográficas e meteorológicas” para lançamentos para o espaço, “beneficiando as infraestruturas espaciais que os Açores já têm”, nomeadamente as estações de rastreio de satélites e de monitorização da atmosfera.

Entre as outras conclusões a que o Expresso teve acesso e que vão ser aprovadas na conferência, destaque para a que defende que “a criação do AIR Center deve ser feita na forma de organização intergovernamental, com estados-membros e sede nos Açores, que estabeleça uma rede de centros de investigação nas várias ilhas do norte e do sul do Atlântico, em interação forte com as organizações científicas, académicas e empresariais de todo o mundo, incluindo não só as dos países do Atlântico mas de outras regiões do mundo”.

Um dos modelos de organização que tem sido discutido é o modelo do CERN (Centro Europeu de Pesquisa Nuclear), com sede em Genebra (Suíça), que tem cientistas residentes e visitantes dos estados-membros e de países de todo o mundo, embora o AIR Center venha a ser muito mais descentralizado, em rede, visto que o CERN tem as suas infraestruturas concentradas num único local.

Investigação integrada do espaço, clima, oceanos e ciência de dados

Por outro lado, a organização intergovernamental a criar “deve promover uma nova abordagem integrada ao conhecimento do espaço, clima, energia, oceanos e ciência de dados no Atlântico”, facilitar “o acesso ao espaço a partir da localização única dos Açores, promovendo novas fronteiras do conhecimento e o desenvolvimento de novas indústrias espaciais”.

Deve também “estimular o teste de novas fontes de energia renovável e a sua integração em redes inteligentes no ambiente das ilhas, promovendo o desenvolvimento de novas indústrias de energia sustentável”. E lançar novas iniciativas de investigação no mar profundo, “facilitando o acesso ao melhor conhecimento dos organismos vivos em ambientes extremos e de novos recursos energéticos e minerais”.

O AIR Center vai apostar ainda no estudo dos processos da crosta terrestre no Atlântico, porque é na região dos Açores que se encontram três grandes placas tectónicas: a norte-americana, a africana e a euroasiática. O objetivo é a mitigação dos riscos provocados por desastres naturais como sismos, vulcanismo e tsunamis.

Outra das conclusões aprovada na conferência é que “deve ser facilitado o uso de grande volume de novos dados sobre o clima, a atmosfera, o oceano e a energia, estimulando novas formas de ciência de dados e o desenvolvimento de novas empresas de base tecnológica orientadas para o processamento e uso de Big Data”.

Finalmente, o futuro Centro Internacional de Investigação do Atlântico deve promover “a educação das gerações mais jovens no conhecimento dos temas relacionados com o espaço”.