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Câmara Municipal do Porto apresentou lucro de € 66 milhões em 2016

LUCÍLIA MONTEIRO

Os cofres da Câmara Municipal do Porto estão de boa saúde, mas as opiniões dividem-se. Resultado “histórico” e “tão bom tão bom” dizem uns. Aforro à “Tio Patinhas” consideram outros

André Manuel Correia

O executivo autárquico da Câmara Municipal do Porto (CMP) aprovou esta quarta-feira o relatório de contas referente a 2016, apresentado pela vice-presidente da câmara Guilhermina Rego, que contou com o voto contra da CDU e a abstenção do vereador Ricardo Almeida, eleito pelo PSD. Os investimentos mais avultados foram realizados nas áreas do Ambiente e Qualidade de Vida (aproximadamente € 24 milhões) e da Coesão Social (€ 16M), com as contas municipais a registarem ainda assim um lucro de € 66 milhões, um crescimento de € 16,8M face a 2015.

O documento do relatório de contas apresentado aos vereadores inclui também uma “Mensagem do Presidente”, na qual Rui Moreira frisa que, “no presente mandato, o município conseguiu reduzir a sua dívida bancária a uma velocidade cinco vezes mais rápida do que se tinha conseguido desde 2001” e nota que tais resultados não foram logrados com a venda de património camarário.

Relativamente ao investimento, Guilhermina Rego explicou que para a Educação foram canalizados € 6 milhões e para a Cultura € 2,7M. No Desporto e Animação o investimento foi de outros tantos € 6M e para a Mobilidade e Transportes foram disponibilizados € 8M.

Os sectores do Urbanismo e Reabilitação Urbana receberam € 3,6 milhões dos fundos municipais e para a Segurança foram alocados € 4,4M. Na cidade considerada como “Melhor Destino Europeu”, o investimento no Turismo atingiu os € 1,3M.

“Nem os socialistas estragaram as contas”

Satisfeito com os resultados mostrou-se igualmente o vereador socialista Manuel Pizarro, principal apoiante de Rui Moreira, que destacou a “rigorosa solidez financeira”. Em jeito de brincadeira, acrescentou: “Isto é tão bom tão bom, que nem a presença de vereadores socialistas [com pelouro atribuído] conseguiu estragar”.

Já o vereador da CDU, Pedro Carvalho, criticou a “falta de execução orçamental” e afirmou não conseguir perceber o motivo pelo qual os € 66 milhões arrecadados não foram disponibilizados para alguns investimentos na cidade. Com a troca de argumentos a subir de tom, Rui Moreira questionou o que é que a CDU fez durante quatro anos no executivo autárquico, durante o primeiro mandato de Rui Rio, altura em que o eleito comunista Rui Sá assumiu o pelouro do Ambiente. “O que foi feito no Bolhão, no Pavilhão Rosa Mota ou no canil municipal? Não pregaram um prego!”, afirmou o atual presidente da CMP.

A CDU, em conferência de imprensa realizada esta terça-feira, já tinha anunciado que iria votar contra o relatório de gestão de 2016, com Pedro Carvalho a afirmar que a “política pública não foi feita para gerar lucro ou aforrar” e questionou se não haverá necessidade de investimento num mandato em que ficou por reabilitar o Mercado do Bolhão, o Matadouro, o Terminal Intermodal de Campanhã e o Pavilhão Rosa Mota. Também presente no referido encontro com a comunicação social, o responsável da CDU Artur Ribeiro comparou Rui Moreira ao “Tio Patinhas”, ainda mais poupado do que Rui Rio, que “ao menos gastava o que recolhia”.