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Sintomas, riscos, prevenção, consequências: o que precisa de saber sobre o sarampo

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Transmite-se “mais facilmente do que uma constipação”, basta um espirro ou uma tossidela. O sarampo foi eliminado em 2015 de Portugal, mas agora a Direção-Geral da Saúde declarou uma epidemia. Segundo o mais recente balanço, estão confirmados 15 casos e outros 11 estão a ser investigados. As autoridades de saúde insistem na vacinação e lembram que “grande parte da população está protegida”

O que é o sarampo? Quais os sintomas?

É uma infeção vírica que afeta o organismo todo. Normalmente curada em alguns dias.

Os principais sintomas na fase inicial são febre alta, tosse expectoração, olhos muito vermelhos e o nariz muito congestionado. Só ao fim de três ou quatro dias, começam a aparecer as pintas no corpo (primeiro na cabeça).

Ainda antes de essas manchas surgirem, já é possível diagnosticar o sarampo através da observação da mucosa oral, onde surgem as chamadas “manchas de Koplik” que os médicos sabem identificar. O mais aconselhável, quando surgem os primeiros sintomas, é ser observado por um médico.

Não há tratamento específico para o sarampo. É aconselhado repouso e são prescritos cuidados e terâpeuticas para aliviar os sintomas.

Como se transmite?

É provavelmente a grande preocupação em relação à doença. “Diria que a sua transmissão é até mais fácil do que a de uma constipação”, explica ao Expresso José Lopes dos Santos, presidente do Colégio de Pediatria.

“O sarampo é altamente contagioso. Se tivermos um doente numa sala e se estiver uma pessoa suscetível no mesmo espaço, a probabilidade de apanhar a doença é bastante grande”, diz o médico. “Habitualmente, transmite-se pelo contacto e através das partículas que ficam em suspensão no ar”, acrescenta.

Basta um espirro ou uma tossidela, por exemplo, para contagiar alguém que não esteja imunizado. O virus é transmitido pelo ar, através de gotículas ou aerossóis.

Atualmente, estão confirmados em Portugal 15 casos de sarampo. Estão a ser analisados outros 11. Segundo o diretor-geral da Saúde Francisco George, é provável que o número aumente. “Não vamos temer uma epidemia em grande escala, porque a maioria da população está protegida”, disse em conferência de imprensa.

Quais são os grupos de risco?

Em Portugal, grande parte da população está protegida. Os mais novos foram vacinados, uma vez que a vacina contra o sarampo faz parte do Plano Nacional de Vacinação (PNV) desde 1974, os mais velhos já tiveram a doença em criança, por isso estão imunizados.

Portanto, é considerado como grupo de risco quem não está vacinado ou nunca teve sarampo. Para o presidente do Colégio de Pediatria, os casos que suscitam alguma preocupação são as crianças com menos de 12 meses (a vacina só é administrada nessa idade), e um “grupo de pessoas relativamente pequeno, talvez entre os 35 e os 45 anos, que por motivos vários não chegaram a apanhar a vacina nos anos iniciais da sua implementação no PNV e nunca tiveram sarampo porque, quando eram crianças, a doença já era menos prevalente”.

“O grande risco do sarampo são os antivacinas. Aqueles pais que acham que sabem o que é bom e que acham que as vacinas são muito más e que fazem mal porque não são naturais. As pessoas com essas manias não vacinam as crianças”, diz ao Expresso o médico. “Felizmente, a maior parte da população portuguesa vacina as crianças. Neste momento, não tem condições para ser um problema de saúde pública, mas a continuar assim tem todo o potencial para o ser. É uma pena as crianças não estarem vacinadas”, acrescenta.

A vaci­na contra o sarampo foi incluída no programa e 1973, tendo sido atualizado ao longo dos anos. Atualmente, está prevista que a primeira dose da vacina seja administrada aos 12 meses. Uma segunda dose, que não é um reforço mas sim “uma nova oportunidade de vacinação”, está prevista por volta dos cinco anos. Em 2014, 98,2% das crianças até aos dois anos de idade cumpriram o plano de vacinação.

À partida, quem foi vacinado não será contagiado. “Mesmo que alguma pessoa vacinada tenha a doença será sempre um quadro muito ligeiro”, garante Francisco George, diretor-geral da Saúde.

Quais são as consequências do sarampo?

As complicações do estado de saúde devido ao sarampo não são muito comuns, pois “na maioria das vezes tudo é evolução corre pelo melhor”, no entanto as crianças e os adultos com mais de 20 anos são os mais suscetíveis.

As complicações mais comuns do sarampo são as otites e a diarreia. No caso da infeção do ouvido, estima-se que uma em cada dez crianças seja afetada. Já em relação à diarreia, esse valor é inferior a um por cada dez.

Também a pneumonia pode ser uma consequência do sarampo. Mais raros são os casos em que se desenvolve uma encefalite.

Embora seja raro, a longo prazo, uma pessoa que tenha tido sarampo pode desenvolver-se a panencefalite esclerosante subaguda (PESS), um infeção do cérebro. A infeção e o aparecimento dos sintomas pode demorar entre sete e dez anos. “É muito raro. Em toda a minha carreira, e vi milhares e milhares de doentes com sarampo, talvez tenha acontecido uma ou duas vezes”, diz José Lopes dos Santos

O sarampo mata?

A taxa de mortalidade difere consoante o país, a época do ano e até a etnia ou a nutrição. Em Portugal, o sarampo foi eliminado em 2015, com a Organização Mundial da Saúde a emitir o certificado. O Plano Nacional de Vacinação foi apontado como um dos principais motivos para o sucesso da erradicação.

Não é frequente, mas quanto o sarampo mata isso acontece na sequência das complicações do desenvolvimento da doença. Segundo dados norte-americanos, uma a duas pessoas morrem por cada mil a quem é diagnosticada a infeção. “Embora não seja muito alta, é certo que existe”, alerta José Lopes dos Santos.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, o plano de vacinação contra o sarampo conseguiu reduzir em todo mundo, entre 2000 e 2015, 79% o número de mortes.