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Hospital da Luz vai ter dobro do tamanho em 2019

Hospital da Luz em Benfica

Ana Baião

A instituição, que completa esta terça-feira 10 anos, começou a dar lucro líquido logo ao fim de dois. Em 2016, fez 425 mil consultas externas e 110 mil urgências, 16 mil cirurgias e partos e um milhão de exames

O Hospital da Luz, que completa hoje 10 anos, vai ter o dobro da dimensão em 2019 e, nos cinco anos seguintes, deverá faturar 350 milhões de euros, revelou à agência Lusa a administradora do grupo Luz Saúde.

A propósito deste aniversário, Isabel Vaz reafirmou que o Hospital da Luz - que considera “o mais bonito e mais moderno de Portugal” - foi “um caso de sucesso” e que, até hoje, “não parou de crescer”.

Há 10 anos, Ricardo Salgado, então administrador do Grupo Espírito Santo (GES), principal acionista do Hospital da Luz, disse que esperava que o investimento do grupo (150 milhões de euros) tivesse retorno ao fim de sete anos. Ao fim de dois, a empresa já tinha lucro líquido e atualmente tem um volume de negócios anual de 155 milhões de euros.

“O hospital basicamente triplicou todas as nossas previsões iniciais”, afirmou Isabel Vaz, recusando a ideia de que este é “um hospital para ricos”.

“Temos um Serviço Nacional de Saúde (SNS) que é financiado pelos nossos impostos e acessível a toda a população.

O setor privado financia-se numa lógica de dupla cobertura, pois além de pagarmos os nossos impostos para termos acesso ao SNS, cerca de 40% da população portuguesa paga adicionalmente para ter acesso à rede privada de cuidados de saúde (20% seguros, dos quais metade pagos pelos empregadores, e privados)”, disse.

Sobre o contributo do subsistema de saúde dos funcionários públicos (ADSE), Isabel Vaz não tem dúvida que o hospital sobrevivia sem este, mas reconhece: “Seria um hospital com uma linha de produtos clínicos seguramente diferentes”.

Para a administradora, “a grande diferença da ADSE em relação aos seguros comerciais em geral é que é um subsistema de saúde sem limite de idade nem plafonamento da despesa e tem uma grande parte de beneficiários reformados, mais velhos e, por isso, com necessidades muito superiores às mais novas, do ponto de vista de risco da saúde”.

Sem a ADSE “teríamos de focar o hospital noutro tipo de tipologia de produtos que hoje não são cobertos pelos seguros e sim pela ADSE. Seria um hospital diferente, mas que sobreviveria”.

A propósito de plafonamentos, Isabel Vaz assegurou que os doentes oncológicos são informados do custo dos tratamentos e quanto o utente tem de pagar.

“Tornamos muito claro aos doentes o que vai de facto acontecer”, disse.

Isabel Vaz defende que se questione a razão de os utentes que têm acesso ao SNS optarem, quando podem, pelo privado.

“Fala-se pouco dos movimentos do público para o privado. Porque vêm? Vêm porque muitas vezes existem listas de espera, porque muitas vezes a melhor tecnologia pode estar no setor privado. É muito limitativo falar só dos movimentos do privado para o público, quando também há movimentos no sentido contrário e nem sempre pelas melhores razões, nomeadamente as listas de espera”.

E remata: “Se hoje existe um setor privado tão pujante é porque de alguma forma há necessidades que as pessoas também colmatam no privado e que pagam com uma cobertura adicional”.

Mas a gestora acredita que a discussão em torno do público versus privado é mais ideológica e política que outra coisa e que a mesma passa ao lado dos utentes e dos seus interesses.

Com as obras de ampliação a decorrer, o Hospital da Luz vai duplicar a sua dimensão e produção até 2019, contando para isso com um investimento de 100 milhões de euros.

Nos cinco anos seguintes, a faturação deste hospital deverá atingir os 350 milhões de euros.

Em 2016, o hospital fez 425 mil consultas externas e 110 mil urgências, 16 mil cirurgias e partos e um milhão de exames. O volume de negócios é da ordem dos 155 milhões de euros.