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Adolescente com sarampo transferida em estado grave de Cascais para Lisboa

Jovem de 17 anos estava internada no hospital de Cascais, onde há neste momento outros cinco casos de menores com sarampo –e onde uma criança infetou cinco funcionárias. Para desbloquear esta vaga no Hospital Dona Estefânia foi acionada a Direção-Geral da Saúde e ainda avisado o ministro da Saúde

Uma jovem de 17 anos que estava internada com sarampo no hospital de Cascais acabou por ser transferida para o Hospital D. Estefânia, em Lisboa, em virtude do agravamento do quadro clínico. A paciente encontra-se neste momento num quarto de isolamento, que permite ter respiração assistida com ventilador.

A transferência foi feita para aquela unidade de saúde porque é a única com quartos de pressão negativa e cuidados intensivos necessários para este tipo de situações. O Expresso sabe que, antes da Estefânia, a jovem chegou a estar no Hospital de Santa Maria, também em Lisboa. Mas o agravamento do seu estado de saúde fez com que precisasse de cuidados intensivos e fosse assim transferida. O Hospital de Santa Maria chegou a ter este tipo de quartos, mas fecharam há seis meses por se considerar que não eram necessários.

O Expresso apurou ainda que, para desbloquear esta vaga no Hospital Dona Estefânia, foi acionada a Direcção-Geral da Saúde, e ainda avisado o ministro da saúde, Adalberto Campos Fernandes.

A jovem agora transferida para Lisboa faz parte de um grupo de seis casos de menores que deram entrada no hospital de Cascais com sarampo. A primeira infeção foi detetada numa criança de 13 meses, não vacinada, que deu entrada no hospital a 27 de março, tendo depois contagiado cinco funcionárias. As funcionárias infetadas estavam vacinadas e que isso fez com que a doença se manifestasse “de uma forma mais leve”, garante a diretora-Geral desta unidade de saúde. Eduarda Reis afirma que foram cumpridas todas as normas da Direção-Geral da Saúde, e que “todos os contactos em risco foram chamados ao hospital”.

A hipótese mais provável é que este novo surto esteja relacionado com o aumento de “número de mães que decidem não vacinar os seus filhos”. “Chegámos a ter uma taxa de vacinação superior a 95%. Hoje em dia, essa taxa é inferior, por opção das pessoas, que desleixaram a vacinação”.

Até quarta-feira tinham sido confirmados 10 casos de sarampo na região de Lisboa e Algarve, disse ao Expresso Teresa Fernandes, da Direcção de Serviços de Prevenção da Doença e Promoção da Saúde. Algumas das infeções foram detetadas em bebés com menos de 12 meses, que ainda não têm idade para tomarem a vacina, sendo que na maioria dos casos trata-se de pessoas adultas não vacinadas.

O sarampo é uma das infeções virais mais contagiosas e transmite-se por via aérea através de gotículas ou aerossóis. Uma pessoa com o vírus do sarampo é contagiosa entre dois a quatro dias antes do aparecimento da erupção e até desaparecer. Quase sempre é uma doença benigna mas em alguns casos pode ter complicações graves e até fatais.