Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

Seis casos de sarampo no Hospital de Cascais, criança contagiou funcionárias

“Normas foram cumpridas”, garante diretora-geral do hospital, que sublinha que “não há razão para alarme”, embora admita que “o facto de não se saber como é que o vírus entrou novamente na nossa comunidade é desagradável”. “É importante que as pessoas se vacinem para evitar mais casos”

Helena Bento

Jornalista

A diretora-geral do Hospital de Cascais, Eduarda Reis, confirmou que há seis casos de sarampo naquele estabelecimento de saúde. A primeira infeção foi detetada numa criança de 13 meses, não vacinada, que deu entrada no hospital a 27 de março, tendo depois contagiado cinco funcionárias.

Os casos foram confirmados a partir de análises feitas no Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, cujos resultados foram conhecidos na quinta-feira desta semana, esclarece Eduarda Reis, adiantando que as cinco funcionários infetadas estavam vacinadas e que isso fez com que a doença se manifestasse “de uma forma mais leve”. A diretora-geral garante que foram cumpridas todas as normas da Direção-Geral de Saúde e que “todos os contactos em risco foram chamados ao hospital”.

Apesar dos casos já diagnosticados e de haver outros dois casos suspeitos, Eduarda Reis diz que “não há razão para alarme”, embora admita que “o facto de não se saber como é que o vírus entrou novamente na nossa comunidade é desagradável”. A hipótese mais provável, no entanto, é que este novo surto esteja relacionado com o aumento de “número de mães que decidem não vacinar os seus filhos”. “Chegámos a ter uma taxa de vacinação superior a 95%. Hoje em dia, essa taxa é inferior, por opção das pessoas, que desleixaram a vacinação.”

Até quarta-feira tinham sido confirmados 10 casos de sarampo na região de Lisboa e Algarve, disse ao Expresso Teresa Fernandes, da Direcção de Serviços de Prevenção da Doença e Promoção da Saúde. Algumas das infeções foram detetadas em bebés com menos de 12 meses, que ainda não têm idade para tomarem a vacina, sendo que na maioria dos casos trata-se de pessoas adultas não vacinadas.

A primeira dose da vacina contra o sarampo é dada aos 12 meses e a segunda aos cinco anos. Face àquele que é já considerado o maior surto de sarampo dos últimos anos em Portugal - e que foi revelado pelo diretor-geral da Saúde, Francisco George, na quinta-feira -, Teresa Fernandes recomenda que seja cumprido o Programa Nacional de Vacinação (PNV). “É importante que as pessoas se vacinem para evitar mais casos.”

O surto foi revelado pelo diretor-geral da Saúde, na passada quinta-feira, 6 de abril. Francisco George recordou então que as autoridades receberam recentemente informação da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre surtos de sarampo na Europa, devido a “bolsas de pais e de mães” que decidem não vacinar os seus filhos. Segundo a OMS, mais de 500 casos de sarampo foram reportados só este ano na Europa em pelo menos sete países.

O sarampo é uma das infeções virais mais contagiosas e transmite-se por via aérea através de gotículas ou aerossóis. Uma pessoa com o vírus do sarampo é contagiosa entre dois a quatro dias antes do aparecimento da erupção e até desaparecer. Quase sempre é uma doença benigna mas em alguns casos pode ter complicações graves e até fatais.