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Greve dos museus: Ao primeiro dia fecharam 11 espaços e 13 continuaram a abertos

O Museu dos Coches foi um dos que encerrou na greve dos museus de 14 e 15 de abril

Alberto Frias

Em causa está a falta de pessoal. De acordo com um responsável da Federação dos Sindicatos, Artur Sequeira, os museus contam também com trabalhadores a recibos verdes e trabalhadores dos centros de emprego porque, sem isso, não tinham o suficiente para estarem abertos

Já há um balanço do primeiro da greve dos museus que foi convocada pela Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas para esta sexta-feira e sábado, 14 e 15 de abril. Segundo disse à Lusa fonte oficial da Direção-Geral do Património Cultural (DGPC), fecharam 11 espaços e 13 continuaram abertos, apesar de três deles estarem a funcionar parcialmente.

Assim, entre os museus abertos contam-se o Museu do Chiado, o Museu da Música e o Museu do Azulejo, assim como Palácio da Ajuda, em Lisboa, o Museu de Machado de Castro, em Coimbra, o Museu Frei Bartolomeu do Cenáculo, em Évora, e o Forte de Sagres. Já o Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), o Palácio Nacional de Mafra e o Panteão Nacional são os que estão apenas abertos parcialmente.

Os espaços museológicos que estão encerrados são a Casa Museu Anastácio Gonçalves, os museus nacionais do Teatro, Grão Vasco, dos Coches, Soares dos Reis e de Conímbriga, além da Torre de Belém e dos mosteiros de Alcobaça e da Batalha.

Ao início da tarde, um responsável da Federação dos Sindicatos disse à agência Lusa que a percentagem de adesão à greve se situava nos 70% e que mesmo os que estão abertos "estão a recorrer à substituição de trabalhadores, alguns dos quais por trabalhadores das empresas de segurança”, acrescentou.

A justificar esta grave está a falta de pessoal nos museus. “O Governo não tem dado resposta às necessidades dos trabalhadores, que se arrastam há anos”, disse Artur Sequeira, sublinhando que o ministro da Cultura se tinha comprometido a integrar 108 trabalhadores dos museus, o que acabou por não acontecer.

Artur Sequeira disse ainda que os museus contam também com trabalhadores a recibos verdes e trabalhadores dos centros de emprego e, se tal não acontecesse, os museus não tinham trabalhadores suficientes para estarem abertos.

O setor da Cultura "tem uma falta de pessoal crónica por várias razões: aposentações de funcionários, saídas por acordo e o fecho das admissões na administração pública".

Outra das questões alvo de contestação dos sindicatos diz respeito ao projeto do Governo, em apreciação no parlamento, de municipalização das competências destes espaços culturais: "É o Ministério da Cultura que deve gerir estes serviços para garantir um serviço público de qualidade".

Outras reivindicações prendem-se com a reposição e criação de carreiras especiais, o abono para falhas, o regulamento de entrega e transporte de valores, o regulamento de fardamento, as condições de saúde e segurança no trabalho, e a formação profissional.

Na quinta-feira, em declarações à Lusa, a diretora-geral do Património Cultural, Paula Silva, lembrou que "a greve é um direito constitucional que causa constrangimentos - mas é por isso é que se faz greve" - e admitiu a possibilidade de encerrar equipamentos se não houver pessoal suficiente para os manter abertos ao público.

Na semana passada, fonte do Ministério da Cultura disse à Lusa que o Governo quer integrar 113 trabalhadores de museus e monumentos nos quadros da Administração Pública através de concurso, mas aguarda autorização da tutela das Finanças.