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Fugitivo da cadeia de Caxias alvo de mandado de captura internacional

O recluso da cadeia de Caxias tem publicado fotos nas redes sociais para mostrar que está vivo e em liberdade

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Joaquim Bitton Matos é agora procurado no mundo inteiro. Polícia Judiciária suspeita que terá fugido para fora de Portugal. Fuga já dura há 54 dias

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

Rui Gustavo

Rui Gustavo

Editor de Sociedade

O recluso 348 da cadeia de Caxias, o agora célebre Joaquim Bitton Matos, é o novo nome das listas dos criminosos mais procurados pela polícia no mundo inteiro. Bitton Matos, que está evadido desde 19 de fevereiro deste ano, já era alvo de um mandado de captura europeu e agora foi emitido um outro, de âmbito internacional. Isto é, pode ser detido em qualquer país onde se tenha escondido e que tenha representação da Interpol. Este novo mandado é um indício claro de que a polícia suspeita que possa estar no estrangeiro e fora da Europa.

O evadido tem dupla nacionalidade, portuguesa e israelita, e se estiver escondido em Israel, que não tem acordo de extradição com Portugal, não poderá ser extraditado. Nestes casos, são os próprios países “de acolhimento” que julgam os suspeitos com base nos factos recolhidos no país que pede a extradição.

Na entrevista que deu na última edição do Expresso, Bitton Matos, que terá a alcunha “Jakob”, garantiu que estava “em Portugal”, na “fronteira com Espanha”. Mas a polícia acredita que estará fugido no estrangeiro. Estava preso preventivamente desde outubro de 2015 pelo alegado envolvimento em assaltos violentos a jogadores de casino, mas considera-se “inocente”. Esta semana voltou a provocar as autoridades portuguesas com a publicação de um vídeo dedicado à ministra da Justiça, Francisca Van Dunem, em que aparece a fingir que está a voar agarrado a um carro com um colete da polícia no banco do pendura. Foi filmado por um cúmplice. “Com todo o respeito pela senhora ministra, permito-me esta dedicatória especial. 348 de regresso a casa”, escreveu no post identificando-se com o número que tinha na prisão.

Corrupção ou mentira

Na mesma entrevista ao Expresso, garantiu que subornou quatro guardas prisionais para poder fugir com dois companheiros de cela, os chilenos Jorge Naranjo e Roberto Ulloa, suspeitos de vários assaltos. Os dois sul-americanos foram recapturados em Espanha, mas Bitton continua a a monte e nunca mais foi visto. A não ser nas fotos e vídeos que tem publicado na internet. Ao “Correio da Manhã”, precisou ter pago cem mil euros aos guardas. O sindicato dos guardas prisionais, que começou por fazer um protesto contra o diretor dos serviços prisionais, Celso Manata, que levantou as primeiras suspeitas de corrupção na entrevista que deu ao Expresso, diz agora que caso se provem as suspeitas de corrupção os guardas visados “devem ser expulsos” .

Os três evadidos usaram uma serra em fio, conhecido na gíria da cadeia por ‘cabelo americano’, para serrar as grades da cela e da rede da cadeia. O método é eficaz mas demorado. E por isso houve imediatamente suspeitas de colaboração “de dentro”. O trabalho demora seguramente “vários dias” e por isso “só muito dificilmente” não seria detetado “pelo pessoal da prisão”, garante uma fonte judicial. A entrevista de Bitton de Matos ao Expresso só veio “consolidar” as suspeitas que já existiam, garante a mesma fonte.

O caso da fuga está a ser investigado pela Unidade Anticorrupção da PJ, que está a seguir todas as pistas: a possível corrupção dos guardas ou a hipótese de “Jakob” estar a mentir para desviar as atenções dos verdadeiros culpados: cúmplices do exterior que nada têm a ver com os guardas prisionais.
No dia da fuga — madrugada de um domingo, há precisamente 54 dias — os três reclusos fugiram com a ajuda de um quatro cúmplice que também nunca foi capturado ou identificado.