Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

Alberto Carneiro 1937-2017. “Perdeu-se um bom artista no nosso Planeta frágil”

Alberto Carneiro foi o grande dinamizador dos Simpósios de Escultura

Rui Duarte Silva

Escultor era visto como um dos maiores artistas portugueses do século XX e o grande renovador da escultura em Portugal. Tinha 79 anos, morreu este sábado

O ex-diretor na Escola de Belas Artes do Porto, Francisco Laranjo, aluno e amigo do artista Alberto Carneiro, que morreu este sábado de manhã, recordou que se “perdeu um bom artista no nosso Planeta frágil”. “É um grande testemunho de um bom artista português e da Europa no nosso Planeta frágil”, declarou à agência Lusa Francisco Laranjo, diretor da Escola de Belas Artes do Porto, entre os anos de 2008 e 2014, e aluno de Alberto Carneiro nos anos da Revolução de 25 de Abril, de 1974 a 1976.

Francisco Laranjo, que mais tarde se tornou amigo do artista, recorda o antigo professor como uma pessoa “com uma personalidade muito dedicada” e “atenta” aos alunos, “bem-disposto” e “atencioso” e “muito respeitoso das personalidades dos estudantes”, numa altura que se vivia a Revolução do 25 de Abril.

“Ele sabia o lugar da ação pedagógica e nunca esquecia o ideário estético”, sublinha o ex-diretor da Escola das Belas Artes do Porto, recordando que o escultor foi o “decano” da disciplina de Desenho na Faculdade de Arquitetura do Porto, quando a Escola de Belas Artes do Porto se dividiu.

Natural da Trofa, Francisco Laranjo recordou ainda que Alberto Carneiro “teve uma grande importância na criação autonómica da arquitetura do Porto” e que manteve sempre os artistas as “melhores relações”, “colaboração” e “solidariedade”.

“Tinha um grande amor à terra Natal e tinha uma grande densidade humana, era uma boa pessoa, sempre solidário e generoso”, acrescentou o ex-aluno e amigo do artista, lamentando que “perder alguém com este valor é sempre uma tristeza”. “Fica o testemunho de alguém que teve um lugar singularíssimo e único dentro das artes plásticas em Portugal e na Escola do Porto”.

O artista Alberto Carneiro morreu este sábado, aos 79 anos, no Hospital de S. João, no Porto, onde estava internado.
Nasceu na aldeia de São Mamede do Coronado (Trofa), lugar onde no mês de março passado, o artista inaugurou um jardim-escultura, considerada a sua maior obra, em dimensão, composta por 435 esteios de granito e um tronco de castanheiro.

Tendo como arquétipos a natureza, a arte e o corpo, Alberto Carneiro explicou que aquela obra exposta no jardim “é o testemunho do reconhecimento à terra” que o viu crescer e propiciou a formação da identidade e “convívio com a natureza que tão importante tem sido na obra”.

Licenciou-se na Escola de Belas Artes do Porto (ESBAP), em 1967, onde foi professor de escultura na década de 70, e tirou uma pós-graduação na Saint Martin's School of Art, em Londres (Reino Unido), tendo sido também docente na Faculdade de Arquitetura na Universidade do Porto (1985/1994).

Nas antológicas da sua obra, contam-se as apresentadas na Fundação Calouste Gulbenkian e na Casa de Serralves, no Museu Nacional Machado de Castro, em Coimbra, no Centro Galego de Arte Contemporânea, no Museu de Arte Contemporânea do Funchal, e na Casa da Cerca, em Almada.

A Lusa tentou saber junto da Câmara da Trofa informações sobre as cerimónias fúnebres, mas não foi possível até ao momento.

  • Morreu Alberto Carneiro

    Escultor era visto como um dos maiores artistas portugueses do século XX e o grande renovador da escultura em Portugal