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Morreu Mário Contumélias, jornalista e autor da canção “O Areias é um Camelo”

Escreveu ainda seis temas que foram finalistas do Festival da Canção, uma delas “Largo do Coreto”, interpretada por José Cid em 1978. E foi também escritor, investigador, sociólogo e pedagogo

O jornalista e escritor Mário Contumélias, autor da canção “O Areias é um Camelo”, entre outras, morreu na quinta-feira em sua casa, em Lisboa, vítima de doença prolongada, disse à agência Lusa fonte da família. Tinha 68 anos.

O velório iniciou-se às 16h00 desta sexta-feira na Igreja do Campo Grande, em Lisboa, onde será também realizada a missa de corpo presente, no sábado, às 12h45. O funeral partirá depois às 13h00 para o cemitério do Alto de S. João, em Lisboa, onde será feita a cremação, às 14h00, disse a mesma fonte.

Nascido em Setúbal, a 3 de junho de 1948, Mário Contumélias foi ainda investigador, sociólogo e pedagogo. Licenciado em Antropologia Social pelo Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE/Instituto Universitário de Lisboa), doutorou-se em Sociologia da Cultura e da Comunicação desde 2009, ano em que apresentou a tese intitulada “Uma aldeia na cidade: Telheiras, o que é hoje e como se produz um bairro”.

A carreira jornalística iniciou-a no jornal O Século, onde fez parte da equipa que editou a revista Cinéfilo. Daí transitou para o Diário de Notícias, onde foi Grande Repórter e foi ainda chefe de redação do Correio da Manhã e fundador da segunda fase de O Século.

Entre 1975 e 1976, foi presidente do Sindicato de Jornalistas e em 1989 deixou as redações tendo-se dedicado ao ensino de jornalismo e tornando-se assessor técnico de formação e formador do Centro Protocolar de Formação Profissional para Jornalistas (Cenjor), onde foi também coordenador pedagógico de Curso de Formação Geral em Jornalismo, durante cerca de 20 anos. Além disso, fundou e dirigiu empresas da comunicação, como a Mediática e Idade Média.

Em 1999, Mário Manuel da Silva Contumélias deixou a vida empresarial para se dedicar em exclusivo ao ensino da sociologia e antropologia, tendo lecionado, até final de 2010, após o que passou a dedicar-se por inteiro à investigação em Ciências Sociais e às escritas documental e ficcional. No total escreveu 29 livros, repartidos pelos géneros de poesia, literatura infantil, ficção, jornalismo e investigação em sociologia, entre outras áreas.

Entre os títulos de obras literárias publicadas por Mário Contumélias contam-se “Uma Mão Cheia de Histórias” (1985), “O Ofício das Coisas” (1986), “Contos da Gaivota Barriguda” (1987), “O Pai Natal Aprendiz” (1988), “Versinhos de Brincar” (1988), “Conversas à Quinta-Feira” (1991), “Só as Emoções” (2008), “A Explicação do Sol” (2008), “Polícias à Portuguesa “(2008) e “Polícias à Portuguesa: Take 2” (2011). O ano passado publicou o seu último livro, a obra de poesia "Sobre Pequenas Coisas".

Entre os cantores que gravaram e interpretaram canções de sua autoria contam-se José Cid, Florência, Teresa Silva Carvalho, Bric-à-Brac, Broa de Mel, Manuel José Soares e Zélia, conseguindo ser finalista do Festival RTP da Canção por seis vezes.

Uma delas com a canção “Largo do Coreto”, interpretada por José Cid no Festival da Canção de 1978. As outras foram “O Comboio do Tua”, interpretado por Florência, em 1979, “Concerto Maior”, com voz de Manuel José Soares, em 1980, “Agosto em Lisboa”, interpretado por Zélia, em 1980, e “Daqui Deste País”, cantado em 1981, pelos Bric-à-Brac.