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Denúncias do fugitivo de Caxias reforçam suspeitas de corrupção

Acusações do recluso que fugiu de Caxias são levadas a sério pelas autoridades. Há mais indícios que reforçam a tese de corrupção de um ou mais guardas prisionais

Rui Gustavo

Rui Gustavo

Editor de Sociedade

Joaquim Bitton Matos está fugido há um mês e meio. A PJ está a desenvolver um “esforço global” para o apanhar

Joaquim Bitton Matos está fugido há um mês e meio. A PJ está a desenvolver um “esforço global” para o apanhar

d.r.

Assim que Joaquim Bitton Matos fugiu da prisão de Caxias com dois reclusos chilenos, as suspeitas de corrupção de “alguém de dentro” surgiram imediatamente. Para fugir, os três reclusos usaram uma serra em fio, conhecida na gíria prisional por “cabelo americano”. A serra é eficaz, mas muito lenta. E os reclusos levaram vários dias a serrar as grades da cela e a rede da prisão. “É muito improvável que conseguissem serrar as grades durante dias sem serem detetados pelos guardas prisionais”, confidencia uma fonte próxima do processo.

Este sábado, numa entrevista ao Expresso, o recluso português garantiu que comprou a liberdade aos guardas: “Paguei a guardas para fugir”, afirmou sem revelar quanto pagou. No dia seguinte, ao “Correio da Manhã”, precisava que tinha pago cem mil euros.

As denúncias só vieram reforçar a tese da corrupção dos guardas. Uma carta anónima enviada aos serviços prisionais imediatamente a seguir à fuga apontou o dedo aos guardas e numa entrevista dada ao Expresso o diretor dos serviços prisionais, Celso Manata, revelou que havia suspeitas de corrupção que estão a ser investigadas pela Polícia Judiciária.

Não se entrega

A fuga terá começado a ser planeada sete meses antes, juntamente com os dois homens com quem partilhava a cela Q21 do Estabelecimento Prisional, Roberto Ulloa e Jorge Naranjo, recapturados nos dias seguintes à fuga.

Bitton de Matos, que tem dupla nacionalidade, portuguesa e israelita, disse ao Expresso que está em Portugal, mas uma fonte policial garante que estará no estrangeiro. É suspeito de vários assaltos violentos a jogadores do Casino e estava em prisão preventiva desde novembro de 2015. Está em fuga desde 19 de fevereiro e garante que não vai entregar-se.