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30 países vão debater criação de base espacial e grande centro de investigação nos Açores

KEVIN LAMARQUE / REUTERS

Mais de 30 delegações internacionais reunem-se a 20 e 21 de abril na ilha Terceira para discutir a criação do Centro de Investigação Internacional dos Açores, mais conhecido por AIR Center, que vai dedicar-se ao espaço, energia, oceanos e clima

Virgílio Azevedo

Virgílio Azevedo

Redator Principal

O encontro das mais de 30 delegações internacionais na Academia da Juventude da Praia da Vitória, na ilha Terceira, será "o primeiro passo para a formalização do AIR Center", afirmou ontem ao fim da tarde o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, depois de uma reunião em Ponta Delgada (ilha de S. Miguel) com Vasco Cordeiro, presidente do Governo Regional dos Açores.

Entre os participantes do evento da Praia da Vitória estarão instituições governamentais da Europa, Brasil, África do Sul, Nigéria, Índia e EUA, bem como grandes empresas da França, Alemanha, Noruega, Espanha, Portugal, Brasil e EUA.

Manuel Heitor esclareceu que o encontro internacional já tem cerca de 200 participantes confirmados e "será um diálogo entre governos, indústria e ciência para formalizarmos até ao final do ano o AIR Center". O projeto integra uma agenda virada para o espaço, energia, oceanos e clima. "O que é novo nesta agenda é a forma integradora como nós abordamos as várias questões", sublinhou o ministro..

Esta reunião pode posicionar melhor Portugal e os Açores "no contexto do que hoje são as estratégias que emergem na área da ciência e tecnologia, sobretudo para fazer face aos desafios das mudanças climáticas", acrescentou Manuel Heitor. Vasco Cordeiro afirmou também que a reunião permite ao arquipélago reforçar a sua importância no terrritório nacional. O governante regional salientou ainda que este projeto "não tem como objetivo final e último apenas o conhecimento científico, mas também o potencial que ele encerra como elemento de criação de riqueza e emprego qualificado".

Base espacial poderá custar €300 milhões

O AIR Center incluirá a construção de uma base espacial de lançamentos low cost, o Atlantic Spaceport, que deverá envolver um investimento de cerca de 300 milhões de euros, dos quais 200 milhões serão investimento estrangeiro e 100 milhões investimento nacional financiado por fundos europeus, no âmbito do Fórum Estratégico Europeu de Infraestruturas de Investigação (ESFRI).

O objetivo é apostar no lançamento de pequenos satélites entre os 10 kg e os 400 kg, um mercado muito promissor que está a atrair investimento privado e a democratizar o acesso ao espaço. Com efeito, a Europa tem grande capacidade nas novas indústrias do espaço em países como a França ou a Alemanha e tem uma grande base espacial em Kourou, na Guiana Francesa, para lançar para o espaço satélites com mais de uma tonelada de peso. Mas não tem uma base espacial para pequenos satélites.

A localização da base espacial ainda não está definida. Depois de se falar no Aeroporto Internacional das Lajes, na Terceira, que tem uma pista de 4000 metros, há outra hipótese, a ilha de Santa Maria, onde já existem seis infraestruturas ligadas ao espaço, nomeadamente estações de rastreio de satélites.

De qualquer maneira, o AIR Center deverá incluir a produção de satélites, propulsores e lançadores (foguetões), uma pista para um avião espacial orbital, o desenvolvimento de tecnologias e experiências para a Estação Espacial Internacional, a demonstração de voos espaciais tripulados, uma incubadora de empresas e estações de vigilância e de rastreio de satélites para todo a região do Atlântico.

A preparação do projeto do AIR Center tem envolvido instituições, empresas e universidades portuguesas, a Agência Espacial Europeia (ESA) , a NASA, o Departamento de Energia dos EUA e as três universidades americanas que têm parcerias com Portugal (MIT, Carnegie Mellon e Universidade do Texas em Austin).

Nas outras áreas o AIR Center irá criar, entre outras iniciativas, um centro de demonstração de veículos elétricos, redes inteligentes de 100% de energias renováveis em várias ilhas dos Açores, observatórios no mar profundo e no oceano aberto e um laboratório de medição de 40 gases com efeito de estufa a 2000 metros de altitude na ilha do Pico.