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Sindicato da guarda prisional defende expulsão se houver envolvidos na fuga em Caxias

Dos três reclusos que fugiram, o que ainda não foi capturadodiz ter pago 100 mil euros a quatro guardas prisionais para o deixarem escapar

O presidente do Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional defendeu esta segunda-feira a expulsão para os guardas prisionais caso se prove estejam envolvidos na fuga de três reclusos da prisão de Caxias e pediu celeridade no inquérito.

Três reclusos, dois chilenos e um português (luso-israelita), fugiram no dia 19 de fevereiro do Estabelecimento Prisional de Caxias, através da janela da cela que ocupavam, tendo dois sido capturados em Espanha. O recluso português continua fugido das autoridades.

O “Correio da Manhã” adianta esta segunda-feira que o "único recluso que ainda não foi capturado relatou no sábado ter pago 100 mil euros a quatro guardas prisionais para o deixarem fugir, tendo sido eles [guardas] a meterem o fio de serra na cela".

Em declarações à agência Lusa, o presidente do Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional (SNCGP), Jorge Alves, disse esperar que o inquérito, que já está a decorrer, seja rápido e que a verdade seja apurada de "uma vez por todas".

"Espero que dentro da verdade e da justiça punam, se isso aconteceu, quem poderá estar dentro desta fuga, se houve auxílio à fuga, isto para que de uma vez por todas saiam da guarda prisional e não manchem o nome do corpo da guarda prisional", sublinhou.

Jorge Alves lembrou que a fuga mereceu a instauração de um processo de averiguações, a cargo do Serviço de Auditoria e Inspeção da Direção-Geral, e que o incidente está a ser investigado num inquérito e a PJ também está a investigar o caso.

O responsável lembrou também que a 8 de março último, o SNCGP realizou uma vigília diante da Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP) em protesto contra as declarações do diretor-geral dos serviços prisionais, Celso Manata, sobre a fuga de reclusos da cadeia de Caxias.

As declarações de Celso Manata ao semanário Expresso, em 25 de fevereiro, causaram mal-estar entre os guardas prisionais porque, conforme Jorge Alves explicou na altura, "só apontava para as hipóteses de a fuga ter sido possível por ter havido corrupção, dolo ou negligência dos guardas" do Estabelecimento Prisional (EP) de Caxias, em Oeiras.

Jorge Alves disse hoje à Lusa que o sindicato não tem conhecimento sobre alegado envolvimento de guardas prisionais na fuga de Caxias e salientou que o SNCGP "sempre se pautou pela verdade".

"Sempre nos pautámos pelo esclarecimento de situações que envolvem o corpo da guarda (...) seja qual for o crime pois põe em causa a dignidade do corpo da guarda prisional no seu todo. Fomos sempre os primeiros a auxiliar a direção-geral, o Ministério da Justiça quando temos conhecimento de situações que podem envolver o corpo da guarda", disse.

De acordo com Jorge Alves, se os guardas estiverem envolvidos devem ser punidos e expulsos do corpo.

Na semana passada, a imprensa noticiava que o fugitivo luso-israelita já tinha publicado uma fotografia no Facebook, onde aparecia de cara destapada e com uma arma na mão, a fazer referência ao 348, o número de recluso.

O Correio da Manhã adianta que várias pessoas do sistema prisional já foram ouvidas pelos inspetores da Unidade de Combate à Corrupção da PJ, na qual corre um inquérito.

Entre os visados, escreve o jornal, estão "um chefe de ala e três guardas prisionais colocados no estabelecimento prisional de Caxias, que já estavam a ser investigados antes de o único fugitivo ainda por capturar ter relatado ao CM que lhes tinha pago 100 mil euros para o deixarem fugir".