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Espanha. Agência de viagens acusa hotel de ter “atitude intolerante e incorreta”

Imagem oficial do Hotel Pueblo Camino Real, em Torremolinos

Proprietária da agência que organizou a viagem de estudantes portugueses a Torremolinos queixa-se do facto de o hotel não deixar os seus representantes verificarem os alegados estragos

Uma das proprietárias da agência de viagens que promoveu a viagens de finalistas dos portugueses a Torremelinos, Espanha, acusou esta segunda-feira o dono do hotel de "má-fé" por recusar mostrar os alegados estragos provocados pelos estudantes no local.

Em declarações à agência Lusa, Inês Mota, uma das sócias da agência Slide in Travel, que organizou a viagem de finalistas dos estudantes portugueses àquela estância balnear espanhola, explicou que o proprietário do hotel não deixou os representantes da agência entrarem "no local, para aferir os alegados estragos".

A responsável acusou ainda o hotel de ter "uma atitude intolerante e incorreta", até porque se recusou a devolver as cauções dos portugueses embora não tenha apresentado os estragos.

"Quando [os finalistas portugueses] fizeram o 'check out', não lhes foi devolvida a caução de 50 euros que fizeram quando se alojaram. O proprietário do hotel alegou que seria para cobrir os estragos que os jovens fizeram, mas não deixou os elementos da nossa agência que estão em Espanha entrar no local para aferir os alegados estragos", disse.

A responsável frisou que a agência vai "contestar os gastos que o proprietário do hotel apresenta" porque não teve acesso aos danos e "à situação 'in loco'".

"Ele tinha de nos ter deixado verificar esses danos, o que não aconteceu, o que descredibiliza, logo à partida, tudo o que aconteceu. Aquilo que o meu sócio presenciou com a equipa foram danos residuais", disse Inês Mota.

A responsável frisou ainda que a agência de viagens "obviamente critica" as situações que aconteceram, sublinhando que "os atos de vandalismo são reprováveis sempre, mas são normais nas viagens de finalistas pelo efeito do grupo e da idade".

Inês Mota defendeu ainda que se os danos feitos no hotel "fossem da dimensão que o proprietário diz", o alojamento "não podia estar aberto no dia seguinte para receber turistas para a Semana Santa".

"Houve aqui uma atitude muito intolerante e incorreta do proprietário do hotel. Existiram, sim, distúrbios e alguns danos, que nós contestámos localmente, e tentámos dissuadir localmente, mas que não são, nem de perto nem de longe, o que este proprietário diz que são", acrescentou.

Inês Mota explicou também que, inicialmente, foi apresentada uma conta à agência de viagens, mas que "nada tem a ver com os valores que são avançados agora pelo proprietário e pela comunicação social".

Inês Mota sublinhou que os alunos portugueses não foram expulsos pelo hotel, tendo cumprido "o programa que estava previsto" e saído no dia em que acabava o programa.
No sábado, o hotel onde estava alojado um grupo de 800 estudantes portugueses do ensino secundário disse à Lusa que expulsou os jovens por danos e vandalismo.

A responsável da agência recordou também que, em anos anteriores – e que diz ser o normal em viagens de finalistas –foi permitido aos responsáveis da empresa verem o local e observarem os estragos quando o grupo sai do hotel.

De acordo com a mesma fonte, o hotel terá ainda negado, por diversas vezes, o acesso dos jovens ao livro de reclamações, tendo sido necessário chamar a polícia para lhe poderem aceder.

"Conseguiram [escrever no livro] e, alegadamente, o responsável do hotel rasgou as folhas do livro à frente deles, menosprezando a intenção de reclamar dos jovens. A informação chegou por alunos, pais e elementos do 'staff' que presenciaram a situação", avançou.

Uma fonte da polícia em Torremolinos disse, no fim de semana à agência noticiosa Efe, que teve de atuar em várias ocasiões no Hotel Pueblo Camino Real, perto da cidade de Málaga, onde estavam instalados os jovens portugueses.