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Colchões pela janela, TV na banheira e deboche… ou uma viagem de finalistas normal? Estudantes desmentem hotel

Imagem oficial do Hotel Pueblo Camino Real, em Torremolinos

Há versões contraditórias sobre o que se passou no hotel de Torremolinos. Imprensa portuguesa e espanhola relata desordem que levou à expulsão de mais de 800 estudantes portugueses mas agência de viagens nega desacatos, diz que os finalistas nem sequer vieram mais cedo e critica sim o hotel. Estudantes descrevem insultos e entradas de seguranças pelos quartos. O que se passou mesmo em Torremolinos?

“Os jovens partiram azulejos, atiraram colchões pelas janelas, esvaziaram extintores nos corredores do hotel e até atiraram uma televisão para a banheira”. A frase foi publicada ontem no El País, que citava fontes policiais, e deu origem ao noticiário intenso sobre uma viagem que acabou por abrir jornais e telejornais. Mas há versões contraditórias sobre o sucedido.

No hotel Pueblo Camino Real, em Torremolinos, entre 800 e mil portugueses foram expulsos no sábado por vandalismo e desacatos. São estudantes de Braga, a maioria na casa dos 17/18 anos, e estavam a gozar uma viagem de finalistas do secundário. Os gestores do hotel prometeram dar mais informação numa conferência de imprensa a realizar na segunda-feira, 10 de abril.

Mas hoje os jornais já trazem mais informação. “O mau comportamento associado ao consumo de álcool e as incivilidades nas unidades hoteleiras onde estavam alojados terão ultrapassados os limites”, afirma Cláudia Andrade, da Direção Nacional da PSP, citada hoje pelo “Diário de Notícias”. No mesmo jornal, a pedopsiquiatra Ana Vasconcelos realça que se trata de menores e que “esta é a forma que encontram de extravasar as tensões que têm ao longo de um ano que é muito importante, o 12º ano é um projeto de vida. Mas o que acaba por acontecer é que estas são viagens de deboche, destinadas a deixá-los numa excitação permanente. A indústria do turismo também é responsável”.

No “Jornal de Notícias”, a agência de viagens nega que tenha havido desacatos. “Os finalistas saíram no dia em que deviam ter saído, quando completaram as seis noites de hotel, afirma Nuno Dias, gerente da “Slide in Travel”. Confirmando ter recebido queixas do hotel, Nuno Dias relaciona-os, no entanto, com o facto de esta unidade nunca antes ter recebido uma viagem de finalistas, pelo que “desconheciam o ambiente que se cria nestas viagens”. Nuno Dias diz que houve muito barulho mas que a palavra desacatos não se aplica. Estas, diz, são “situações normais” e que se o hotel não estava preparado para este tipo de viagens “não devia ter aceitado acomodar este tipo de viagens”.

No “Correio da Manhã”, estudantes dizem que o serviço não foi cumprido e que foram feitas queixas no livro de reclamações mas que as páginas foram rasgadas. O hotel, dizem, ficou-lhes com a caução, 50 euros por cada um, o que garantem que chega para pagar os estragos. Os estudantes dizem que a descrição feita por fontes do hotel é exagerada.

Dos relatos percebe-se que o ambiente entre estudantes e hotel foi ficando tenso ao longo da estadia, com queixas de parte a parte: o hotel queixando-se do barulho e da desordem; os alunos queixando-se da má comida, de o serviço contratado não estar a ser cumprido, do facto de os lençóis não serem mudados e de os seguranças os vigiarem constantemente. Há inclusive relatos de insultos racistas. No final da viagem, a rutura foi total.

Na página do Facebook do hotel, foram publicados vários comentários de clientes e estudantes nos últimos dias, com fortes críticas ao serviço do hotel, quanto à qualidade da alimentação, a falta de higiene e limpeza e descrevendo insultos feitos pelo pessoal do hotel. "O serviço é péssimo, as empregadas não substituíam os lençóis e toalhas, havendo em alguns quartos baratas e formigas, os seguranças entravam nos quartos sem a nossa autorização e não nos devolveram nem uma parte da caução, e ainda nos foi negado o livro de reclamações", escreve um do alunos, numa mensagem cujo conteúdo é repetido com outras palavras em várias mensagens.

Estudantes ouvidos pelo serviço de informação do Sapo, reiteram o exagero das notícias, dizem que não viram nenhum colchão a voar pela janela e criticam sobretudo o diretor do hotel, apelidado de "monstro", que terá recusado servir álcool, entregar o livro de reclamações e de ter tratado os estudantes como se fossem "animais". A polícia acabou por ser chamada ao hotel, mas mesmo sobre quem os chamou há divergências. Os estudantes citados garantem que também eles chamaram a polícia, para poderem exercer o direito de reclamação e apresentar queixa.