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Ver de tudo, em todos os ecrãs: levantado o véu sobre os novos hábitos de consumo

d.r.

Smartphone, tablet, computador pessoal e smartTV. Do mais pequeno, mais leve e de maior portabilidade para o maior, mais pesado e quase sempre fixo e estático. Todos são ecrãs, e os mais frequentes do quotidiano, para assistir aos conteúdos televisivos, designadamente os que cada vez mais são disponibilizados via online. Os primeiros resultados foram apresentados em Cannes, no MIPTV, e levantam o véu sobre os novos padrões de consumo

Luís Proença

Para que se vejam as diferenças que emergem destas medições de audiências agregadas agora apresentadas, foram comparados os comportamentos dos consumidores em dois países: França e Holanda. A Eurodata recorre a técnicas de medição que abrangem a utilização de todos os quatro ecrãs, considerando o visionamento diferido (“time-shifted”), agregando estes resultados aos das audiências clássicas do consumo de televisão linear. Cerca de 15 países desenvolvem atualmente as medições agregadas dos quatro ecrãs. Pegando particularmente nos resultados referentes ao passado mês de dezembro nesta comparação, a análise de audiências destaca que um em cada cinco telespectadores franceses viu televisão online, enquanto na Holanda a proporção foi bem maior: um em cada dois. A ficção é o género mais popular em França entre os consumidores que recorrem aos serviços de TV providenciados através da internet (41%). Na Holanda é o entretenimento que mais vinga neste contexto digital (44%).

Entre os aparelhos utilizados, o computador pessoal é o ecrã número um para o efeito em ambos os países. Em França é opção para 53% dos visionamentos online e na Holanda para 47%. Os tablets surgem na segunda posição, com uma fatia de 28% do consumo entre os franceses e de 35% entre os holandeses. Os mais pequeninos, os smartphones, foram utilizados por 18% dos espectadores em França e por 19% na Holanda.

Se, por um lado, o consumo global multiecrã online tem vindo a disparar, especialmente entre os espectadores mais jovens, verifica-se, por outro lado, que o tempo despendido para o consumo agregado de programas televisivos praticamente não se alterou. De acordo com a Eurodata, no ano passado houve apenas um decréscimo de três minutos, para um consumo total diário médio de três horas. A Europa e a América do Norte são as regiões em que se assinala uma maior quebra de consumo, apesar de atingirem ainda a fasquia das quatro horas por dia. A América Latina prossegue em crescer no tempo de visionamento agregado.

Face à revolução em curso nos hábitos de consumo, dinamizados pelos novos dispositivos ligados à rede, os produtores de conteúdos e os operadores de televisão “estão a testar experiências mais imersivas”, sublinhou Sahar Baghery, o responsável pela pesquisa global de media e estratégias de conteúdos da Eurodata TV Worldwide, na sessão de abertura do MIPTV. Citou o exemplo dos espectadores franceses do programa “The Voice” terem a possibilidade de se tornarem mentores dos concorrentes através dos “headsets” de Realidade Virtual. Baghery referiu a importância cada vez maior de os operadores terem presença relevante nas redes sociais, como o Facebook, e destacou por entre as estratégias de emergência para alcançar os públicos mais jovens (“millennials”) os negócios já estabelecidos para desenvolver conteúdos exclusivos para as plataformas de mensagem de vídeo, apontando o exemplo da Disney com o Snapchat.