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Santos Silva e Sócrates: empresa intermediava negócios de grandes empresas

Marcos Borga

José Sócrates e Santos Silva arquitetaram plano para intermediar negócios de grandes empresas portuguesas, sobretudo ligadas às obras públicas. É a tese do Ministério Público

Entre 2005 e 2006, Carlos Santos Silva e José Sócrates arquitetaram um plano para que o primeiro fosse intermediário de negócios de grandes empresas portuguesas, sobretudo ligadas ao setor das obras públicas. Estes negócios estavam intimamente ligados ao poder político, fosse por concursos públicos, fosse por contactos diplomáticos do governo para operações no estrangeiro. Esta é uma das linhas de investigação do processo Marquês, que foram apresentados a Sócrates no interrogatório de há três semanas, que a revista Sábado revela na edição de hoje nas bancas.

Segundo o relatório citado pela revista, a intermediação foi realizada através de uma sociedade que participava de forma minoritária em consórcios com as grandes empresas em causa, que concorriam a grandes empreitadas, com intervenção ou apoio do governo.

Sócrates desmentiu todas estas acusações.

Grande parte da informação sistematizada no relatório não é nova, tendo já sido noticiada. O interrogatório, o terceiro a José Sócrates na investigação da Operação Marquês, foi realizado a 13 de março. São ao todo 103 páginas com indícios de crimes, que foram apresentados pelos procuradores Rosário Teixeira, Filipe Preces e Filipe Costa, bem como pelo inspetor das Finanças Paulo Silva. O antigo primeiro-ministro é apontado pela investigação como cérebro de uma estratégia para ocultar alegados recebimentos corruptos de três fontes: do Grupo Lena, do Grupo Espírito Santo e de Vale do Lobo.

José Sócrates falou durante cinco horas e meia, exaltando-se muitas vezes e chegando a levantar a voz e a ser agressivo com a equipa de investigadores defronte de si.

Sócrates é suspeito de seis crimes: corrupção passiva; fraude fiscal qualificada; branqueamento de capitais; tráfico de influência; falsificação e recebimento indevido de vantagem. Ou dito de outra forma: Sócrates é, respetivamente, suspeito de ter praticado seis comportamentos ilícitos: de intervir ilegalmente em negócios; de ocultar rendimentos através de testas-de-ferro; de apresentar falsas justificações para fundos ocultados através de terceiros; de utilizar a rede diplomática para influenciar negócios do Grupo Lena no estrangeiro; de forjar um contrato de arrendamento de um apartamento em Paris e informação nos documentos de adesão ao “perdão fiscal” RERT de 2010; e de fazer pagamentos de despesas de lazer em 2011.