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Investigação Marquês: corrupção de Sócrates vem de longe

ANDRÉ KOSTERS/ Lusa

José Sócrates tornou-se alegadamente mais prudente nos esquemas de ocultação de dinheiro durante os casos Freeport (de 2004) e Face Oculta (de 2010), sugere a investigação da Operação Marquês

José Sócrates já recebia dinheiros corruptos durante a investigação aos casos Freeport (cuja investigação judicial foi iniciada em 2004) e Face Oculta (de 2010), suspeita o Ministério Público. E foi por causa da mediatização destes casos, e dos processos de investigação associados, que o antigo primeiro-ministro se terá tornado mais prudente na ocultação de dinheiros recebidos.

É o que se retira do despacho de indiciação do Ministério Público, apresentado no interrogatório a José Sócrates a 13 de março passado, a que a revista “Sábado” teve acesso, publicando o essencial desse relatório na sua edição desta quinta-feira nas bancas.

Segundo a “Sábado”, o relatório “dá ainda a entender que Sócrates foi corrompido enquanto se verificavam os casos Freeport (autorização e licenciamento de um outlet na zona de Alcochete, distrito de Setúbal) e Face Oculta (concursos ganhos por um sucateiro de Aveiro) e que foi devido ao impacto mediático destes processos que o político encetou novas estratégias de dissimulação dos milhos de corrupção que acertou com o empresário Joaquim Barroca, Armando Vara, Hélder Bataglia e o então banqueiro Ricardo Salgado.”

Os dinheiros, segundo a tese do Ministério Público, foram recebidos ou diretamente, ou através de dois testas-de-ferro, o seu primo José Paulo Pinto de Sousa e o amigo Carlos Santos Silva. Segundo o documento citado pela revista, os dinheiros (que passaram por contas offshore) foram transacionados enquanto Sócrates foi primeiro-ministro, de 2005 a 2011.