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A fúria de Sócrates contra os delírios do Ministério Público

RUI DUARTE SILVA

Sócrates exaltou-se várias vezes durante o interrogatório do Ministério Público. Negou todos os indícios. E acusou os procuradores de delirarem

Levantou a voz, exaltou-se várias vezes, negou tudo e acusou a equipa de investigação de não ter quaisquer provas. José Sócrates esteve cinco horas e meia a responder à equipa de investigação da Operação Marquês e, segundo a Sábado, foi muitas vezes agressivo.

A descrição da reação de Sócrates havia sido já noticiada pelo Correio da Manhã, tendo o seu advogado afirmado, aliás, que o interrogatório havia tido momentos bastante vivos.

O antigo primeiro-ministro considera a versão dos factos apresentada pelo Ministério Público como disparatada e disse que as insinuações são falsas, delirantes e mentirosas. Sócrates nega todas as suspeitas relacionadas com o Grupo Lena, com o caso Vale do Lobo e com o Grupo Espírito Santo, recusando ter usado Carlos Santos Silva ou o seu primo José Paulo como testas-de-ferro.

Os comentários de Sócrates ao processo têm desde o início insistido na falta de provas e em desmentir todas as suspeitas, classificando a investigação como sendo uma campanha de calúnias e de difamação.

A sua defesa já afirmou que o Ministério Público violou prazos de inquérito. Neste interrogatório, escreve a Sábado, Sócrates acusou ainda o Ministério Público de ser seletivo nas investigações e de ignorar indícios que o possam inocentar.

O interrogatório, o terceiro a José Sócrates na investigação da Operação Marquês, foi realizado a 13 de março. São ao todo 103 páginas com indícios de crimes, que foram apresentados pelos procuradores Rosário Teixeira, Filipe Preces e Filipe Costa, bem como pelo inspetor das Finanças Paulo Silva. O antigo primeiro-ministro é apontado pela investigação como cérebro de uma estratégia para ocultar alegados recebimentos corruptos de três fontes: do Grupo Lena, do Grupo Espírito Santo e de Vale do Lobo.

Sócrates é suspeito de seis crimes: corrupção passiva; fraude fiscal qualificada; branqueamento de capitais; tráfico de influência; falsificação e recebimento indevido de vantagem. Ou dito de outra forma: Sócrates é, respetivamente, suspeito de ter praticado seis comportamentos ilícitos: de intervir ilegalmente em negócios; de ocultar rendimentos através de testas-de-ferro; de apresentar falsas justificações para fundos ocultados através de terceiros; de utilizar a rede diplomática para influenciar negócios do Grupo Lena no estrangeiro; de forjar um contrato de arrendamento de um apartamento em Paris e informação nos documentos de adesão ao “perdão fiscal” RERT de 2010; e de fazer pagamentos de despesas de lazer em 2011.