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Requalificação dos Clérigos e mestrado da Universidade do Minho vencem Prémio Europa Nostra

Após os trabalhos de restauro, uma nova igreja nasceu nos Clérigos

Rui Duarte Silva

Prémios da União Europeia para o património cultural foram conhecidos esta manhã: projeto português de requalificação da Igreja e da Torre dos Clérigos ganhou na categoria Conservação, enquanto o Mestrado em Análise Estrutural de Monumentos e Construções Históricas está entre os vencedores na categoria Educação, Formação e Sensibilização

O projeto de requalificação da Torre dos Clérigos, no Porto, e um mestrado em análise estrutural de monumentos, coordenado pela Universidade do Minho, em Guimarães, estão entre os vencedores do Prémio da União Europeia para o Património Cultural/Prémios Europa Nostra.

O anúncio dos 29 vencedores, de 18 países, incluindo a Suíça e a Turquia, foi feito esta quarta-geira, e a cerimónia de entrega dos prémios acontece no dia 15 de maio, em Turku, na Finlândia, quando serão conhecidos os sete distinguidos com o Grande Prémio Europa Nostra, no valor de 10.000 euros cada, e o vencedor do Prémio do Público, resultante da votação 'online', aqui.

O projeto português de requalificação da Igreja e da Torre dos Clérigos venceu na categoria Conservação, enquanto o Mestrado em Análise Estrutural de Monumentos e Construções Históricas, um projeto europeu coordenado pela Universidade do Minho, em Guimarães, está entre os vencedores na categoria Educação, Formação e Sensibilização.

A requalificação dos Clérigos surge ao lado de projetos da Capela de S. Martinho, em Stari Brod, na Croácia, do Complexo Barroco e dos Jardins de Kuks, na República Checa, da cidade antiga de Karthalia, na ilha grega de Qia, do Bastião do Palácio dos Grão-Mestres, na ilha grega de Rodes, da Pirâmide Branca, em Roma, da Estrada Real, em Filefjell, na Noruega, do Palácio da Cultura, em Blaj, na Roménia, da Fortaleza de Enderrocat, na ilha espanhola de Maiorca, da cobertura das ruínas do Mosteiro de S. João, em Burgos, também em Espanha, e do Edifício 17 de Cromford Mills, em Derbyshire, no Reino Unido.

Na categoria de Educação, Formação e Sensibilização foram igualmente distinguidos o "Erfgoedplus: Online heritage platform", baseado em Hasselt, na Bélgica, o Centro de Artes Visuais e Investigação de Nicósia, Chipre, o Programa Educacional para a Património Cultural Checo, na República Checa, o Projeto sobre o legado do atleta Paavo Nurmi, de Turku, na Finlândia, a Iniciativa de Artesanato Patrimonial para a Geórgia, na ex-república soviética.

O projeto alemão de Acessibilidades sem barreiras ao Património Cultural, o projeto "ilCartastorie: Contadores de histórias", nos arquivos de Nápoles, em Itália, o Programa Educacional de Tradição Cultural Judia, desenvolvido na Polónia, e o "Samphire", para a promoção do património marítimo no oeste da Escócia, do Reino Unido, são os outros distinguidos na área de Educação, Formação e Sensibilização dos Prémios Europa Nostra.

Na categoria Investigação foram premiados quatro projetos, dois deles de Itália - "Carnaval Rei da Europa", em San Michele all'Adige, e o do Museu Piranesi', em Milão - e um da Estónia, de Conservação e Restauro "Rode Altarpiece".

Nesta categoria foi também premiado o projeto holandês "Hertogenbosch", para a Investigação e Conservação das obras do pintor Hieronymus Bosch, de quem se assinalaram os 600 anos da morte, em 2016.

Bosch é o autor das "Tentações de Santo Antão", da coleção do Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa. Um pormenor do painel principal deste quadro domina, aliás, a página de abertura do projeto holandês, na internet.

Três personalidades e uma instituição foram distinguidas na categoria Serviço Dedicado ao Património: o croata Ferdinand Meder, de Zagrebe, o irlandês Jim Callery, do condado de Roscommon, o romeno Zoltán Kallós, da Transilvânia, e a Sociedade Norueguesa de Faróis.

Dois "projetos notáveis" de países europeus que não estão integrados no programa Europa Criativa, a Suíça e a Turquia, foram também distinguidos: os Banhos Kiliç Ali Pasa Hamam, em Istambul, na categoria Conservação, e a Coleção de Relógios de Philippe Stern, em Genebra, na categoria de investigação.

Os 29 vencedores foram escolhidos por "júris constituídos por peritos independentes [que] analisaram um total de 202 candidaturas, apresentadas por organizações e indivíduos de 39 países de toda a Europa", segundo o comunicado da organização.

Destes galardoados, o público pode escolher, 'online' um, e sete deles irão receber o Grande Prémio Europa Nostra.

Os vencedores finais serão conhecidos no dia 15 de maio, numa cerimónia a realizar na Igreja de S. Miguel, em Turku, presidida pelo comissário europeu da Educação, Cultura, Juventude e Desporto, Tibor Navracsics, da Hungria, e pelo presidente da Europa Nostra, o tenor e maestro espanhol Plácido Domingo.

No dia 14 de maio, os vencedores apresentarão "as suas iniciativas exemplares durante a Feira de Excelência", na Sala Sigyn, do Conservatório de Música local, e participarão em vários eventos, no Congresso do Património Europeu, que se realiza nesta cidade, de 11 a 15 de maio, organizado pela Europa Nostra.

O congresso, de acordo com a organização, irá debater os mais recentes desenvolvimentos europeus relacionados com o património, com destaque para o Ano Europeu do Património Cultural, a assinalar em 2018.

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