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Sociedade

Leve a placa da rua para casa – um “souvenir” à moda do porto

D.R.

A Câmara do Porto vai colocar à venda 2800 placas de toponímia. Quanto vale uma rua?

André Manuel Correia

Num Porto cada vez mais turístico, a procura de “souvenirs” e “recuerdos” é mais alta do que nunca. A partir de agora, além das recordações e das fotografias dos locais por onde passou, torna-se possível também levar a placa da rua consigo. E pode ficar descansado. Não é crime. É o negócio de saber reaproveitar as 2800 placas toponímicas obsoletas e sem utilização desde que foram adquiridas em 2004, com o nome de vários arruamentos do município.

Condenadas ao esquecimento durante vários anos, uma vez que a legibilidade não cumpria os requisitos impostos, vão ser disponibilizadas ao público local e internacional a um preço individual de 100 euros. A proposta partiu da vereadora da Câmara Municipal do Porto (CMP) Cristina Pimentel, com o pelouro da Mobilidade, e foi aprovada por unanimidade terça-feira em reunião do executivo autárquico.

As placas de alumínio estão nos armazéns da CMP e de lá nunca saíram. “Nunca foram utilizadas. Quando foram compradas pela Câmara verificou-se que não tinham uma dimensão que permitisse a sua legibilidade”, explicou Rui Moreira.

Usadas como novas

Trata-se assim de um produto em segunda mão e de um artigo “vintage”, uma vez que as placas em alumínio caíram em desuso, em detrimento das sinaléticas concebidas em policarbonato, por se tratar de um material que permite um fabrico mais económico.

Estão como novas e o preço a que serão vendidas corresponde à atualização do valor pelo qual foram adquiridas, quando Rui Rio ainda era o presidente do município. No total, a autarquia poderá com esta iniciativa lograr um encaixe financeiro de 280 mil euros.

Para os compradores, o lucro é simbólico e a oportunidade assume-se como única. “Acredito que pode ter interesse não só para os turistas, mas também para os moradores”, frisou o presidente da Câmara do Porto. “Em vez de termos ímanes colados no frigorífico, ter uma placa com o nome da rua é capaz de ser algo interessante”, afirmou, entre risos, Rui Moreira.

A autarquia vai criar, em breve, um site exclusivamente dedicado a esta iniciativa. No entanto, saiba que nem todas as placas de artérias portuenses estão em “stock” - e se mora na mesma rua que o presidente da Câmara do Porto, então apresse-se. Ele é um dos primeiros interessados em levar a placa para casa, tal como admitiu, em jeito de brincadeira.