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#CARLOS_TAVARES. O conquistador português da indústria automóvel

O português Carlos Tavares é hoje um dos mais reputados gestores da indústria automóvel

Foto Christian Hartmann/Reuters

Apesar do salário milionário, o presidente executivo do grupo PSA Peugeot Citroën mantém hábitos frugais: viaja em classe económica, dorme em hotéis de duas estrelas quando participa em provas automobilísticas e usa o mesmo relógio Tissot há 20 anos. A sua única obsessão são os carros

O nome talvez não lhe diga nada. Ou, então, talvez lhe lembre o homónimo, que foi presidente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). Mas este Carlos Tavares é outro, o presidente executivo do grupo PSA Peugeot Citroën, que este mês fechou a compra da Opel, tornando-se o segundo maior construtor de carros da Europa. Talvez tenha ouvido falar dele o ano passado, quando em França o seu novo salário (mais de cinco milhões de euros) fez disparar as críticas, dos sindicatos e até do então primeiro-ministro, Manuel Valls. Mas isso é apenas parte da história.

Por trás de um número, há quase sempre uma história. E, nesta história, cabem muitos números. Quando Tavares chegou à PSA em 2014, depois de 32 anos na rival Renault, o grupo estava próximo da falência e foi salvo pela entrada no capital da empresa do Estado francês e de um grupo chinês. O português, que deixou Portugal aos 17 anos para estudar engenharia em França, pôs em marcha um rigoroso plano de recuperação e fechou 2015 com 1,2 mil milhões de lucro líquido e ultrapassou os 1,7 mil milhões de euros em 2017, distribuindo dividendos pela primeira vez em seis anos. Fê-lo reduzindo postos de trabalho, congelando salários em troca da promessa de não fechar fábricas e eliminando os modelos menos lucrativos. E fez isso tudo conquistando a admiração dos trabalhadores.

“É difícil encontrar uma pessoa que tenha trabalhado com ele e que não goste muito dele”, garantiu-me Michael Ramsey, um analista americano do sector automóvel, uma das muitas pessoas que ouvi para traçar o perfil do português na edição deste sábado da revista do “Expresso”. Outra foi o atual ministro da Economia e das Finanças de França, Michel Sapin, que se mostrou rendido ao trabalho de Tavares. “Ele contribuiu grandemente para o sucesso da PSA. Conseguiu reerguer o grupo sem fechar uma única fábrica”.

Apesar do salário milionário, mantém hábitos frugais: viaja em classe económica, dorme em hotéis de duas estrelas quando participa em provas automobilísticas e usa o mesmo relógio Tissot há 20 anos. A sua única obsessão são os carros: é um colecionador de clássicos e um entusiasta das corridas de automóveis, tendo participado em mais de 500. No capacete, leva a Cruz da Ordem de Cristo que adornava as velas das armadas dos Descobrimentos. Como um conquistador da indústria automóvel internacional.

Vale a pena ler a sua história da Revista do Expresso deste sábado.