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Relatório de segurança. Menos crimes no geral e menos violência, mas as excepções persistem

A criminalidade em Portugal tem vindo sempre a descer. Nos últimos oito anos o número de participações caiu 21%, de acordo com o RASI de 2016. Mas a violência doméstica, os crimes de extorsão e o tráfico de droga continuam em contraciclo

A criminalidade geral desceu 21% nos últimos oito anos, diz o Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) de 2016. No ano passado houve 330.872 participações contra 421.037 em 2008. A descida ainda foi mais significativa nos crimes violentos e graves, que tiveram uma quebra de 32% no mesmo período, baixando de 24.317 ocorrências em 2008 para 16.761 em 2016.

Pelo que o RASI dá conta, Portugal tem assistido a uma evolução positiva sustentada, graças ao reforço continuado de medidas de prevenção e a uma maior eficácia das forças de segurança e do poder judicial no combate ao crime. O relatório recorda que Portugal apresentava em 2014, ano a que se reportam os dados estatísticos oficiais mais recentes da União Europeia, “níveis de criminalidade em geral muito inferiores à média registada” na Europa.

Comparando apenas com o ano anterior, 2016 registou quebras anuais significativas: 7,1% de participações a menos em relação a 2015 (passaram de 356.032 para 330.872) e nos casos de crimes violentos e graves a descida ainda foi mais evidente, com menos 11,6% no número de ocorrências, que caíram das 18.964 registadas em 2015 para 16.761 no ano passado.

Dentro dos vários tipos de crimes violentos, o destaque vai para a quebra especialmente acentuada dos roubos por esticão, que diminuíram 24,4% no intervalo de um ano. Os roubos por esticão representam 25,7% do universo de ocorrências graves ocorridas no país. Juntamente com os roubos na via pública somam mais de metade de todos os crimes violentos registados no ano passado.

O que sobe, apesar de tudo

Há depois, na criminalidade geral, alguns fenómenos que persistem em evoluir em contraciclo: a violência doméstica, que cresceu 1,4%, e os furtos de oportunidade (de objetos não guardados), que cresceram 12%. Também em contraciclo estão as burlas informáticas (mais 7,9%) e outras burlas (8,5%) e o tráfico de droga (10%).

No caso dos crimes graves e violentos, o especial destaque vai para o aumento em flecha dos casos de extorsão, que deram um salto de 53,7% em apenas um ano, embora este tipo de fenómeno tenha pouca expressão no bolo total de ocorrências (representa 2,9% de todos os crimes violentos ocorridos em Portugal). Além disso, as ofensas à integridade física feitas de forma voluntária e grave subiram 11,1%, quase o mesmo que os 11,4% de aumento registados no número de roubos a postos de abastecimento de combustíveis, que em 2016 ascenderam a 137 ocorrências.