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Relatório de segurança. Ameaça jiadista continua no topo das preocupações

JIHAD. Em abril de 2014, Abu Issa Al- Andalus apelava aos muçulmanos para se juntarem à “guerra santa” na Síria

d.r.

Autoridades dizem temer o regresso à Europa e a Portugal do grupo de dez operacionais portugueses e lusodescendentes que fazem parte do Daesh, na Síria. Esta é uma das conclusões do Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) de 2016

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

As autoridades continuam a olhar com muita preocupação para o fenómeno jiadista, não só na Europa mas também em território nacional, revela o último Relatório Anual de Segurança Interna (RASI), com os dados mais recentes de 2016.

Nos últimos anos, os serviços de informações têm vindo a recolher e a avaliar indícios que dão conta do "agravamento de alguns fatores de risco, indícios estes já detetados no nosso país". Só que o caso identificado em Portugal não estava diretamente relacionado com o planeamento e execução de atentados no nosso país, mas sim com o apoio às estruturas terroristas a operar no exterior, "em particular na Europa e na região sírio-iraquiana". O documento não especifica mas trata-se do caso de célula de marroquinos detetada em Aveiro, em 2016, pelas forças de segurança.

"Apesar de, até ao momento, se avaliar esta situação como um exemplo isolado e pontual, não existindo indícios que apontem para a existência de estruturas idênticas a operar de modo permanente em Portugal, considera-se que a emergência de situações similares a esta, poderão contribuir para uma alteração do padrão da ameaça terrorista que impende sobre o nosso país", revela o RASI.

O relatório dá atenção também à permanência de "um grupo de indivíduos com nacionalidade portuguesa na região de conflito sírio-iraquiana, com ligações à organização terrorista Estado Islâmico", que se mantém "como um fator de preocupação acrescida, sobretudo, pelos riscos associados ao seu potencial regresso a Portugal ou a outro país europeu".

O grupo é comporto por uma dezena de operacionais, já identificados em várias reportagens do Expresso.

Ainda assim, as forças de segurança não encontraram até hoje radicais portugueses em "cenários de insurgência islâmica" como a Líbia, Sahel-Magreb, corno de África, península arábica, sudeste asiático ou na região afegano-paquistanesa.