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Relatório de Segurança. Aumento generalizado dos crimes informáticos

Thomas Peter / Reuters

Casos que envolvem tecnologias informáticas registaram um aumento de 21,5% em 2016, com a sabotagem informática a encabeçar a lista. Pornografia de menores é um dos crimes em destaque

A segurança informática é cada vez mais uma preocupação em Portugal, com uma tendência clara para o aumento do número de crimes nesta área. As conclusões são apresentadas pelo Relatório de Segurança Interna relativo a 2016, onde se indica que no ano passado se registaram mais 142 casos deste tipo do que no ano anterior, o que representa um aumento generalizado de 21,5%.

As investigações relativas a este tipo de criminalidade mostram que crimes como o da sabotagem informática – que aumentou 140% entre 2015 e 2016 – ou a falsidade informática registaram aumentos muito consideráveis, mas não só: também o número de casos de pornografia de menores é maior em 2016, com um aumento de 36% em relação ao ano anterior.

Na análise dos inquéritos realizados neste âmbito, dá-se conta de que é na burla informática que há um número maior tanto nos indivíduos detidos (31 em 2016, mais do que os 18 de 2015) como nos que foram constituídos arguidos como resultado das investigações (330 no mesmo ano, contra os 322 de 2015).

O relatório lança um alerta: os dados pessoais poderão constituir uma área crescente de crime, havendo um “aumento significativo” dos casos que têm a ver com produtos e serviços bancários, como os cartões virtuais. Nos chamados “cyberattacks”, a motivação de base para os crimes “continua a ser económica”, como nos casos de extorsão, e hacktivista (onde se enquadram grupos como o Anonymous).

Foi para dar resposta a estes casos que em 2016 foi criada a Unidade Nacional de Combate ao Cibercrime e Criminalidade Tecnológica na Polícia Judiciária, a juntar ao trabalho feito pelo Centro Nacional de Cibersegurança. Terá sido graças à visibilidade conseguida pelos organismos que se deu um grande aumento de notificações recebidas pela equipa de resposta a incidentes de cibersegurança (72% em relação a 2015). No âmbito destes casos, destaca-se a “existência de indícios de campanhas que poderão ser associadas a ciberespionagem de largo espectro” com alvos nacionais, embora representem apenas 0,5% dos incidentes.

Para 2017, e numa altura em que se comprova um aumento claro no número de crimes que têm a ver com as novas tecnologias e a informática, o relatório esclarece que será necessário “aperfeiçoar os sistemas e procedimentos” nesta área, reforçando não só a prevenção e a repressão destes crimes como ainda capacidade de obter provas digitais.