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Relatório de Segurança: apreensões de ecstasy e haxixe disparam 200%

Haxixe tornou-se a droga mais apreendida em Portugal. Drogas sintéticas são compradas no lado negro da Internet e chegam aos consumidores pelo correio. Mais de 3 milhões de euros em dinheiro encontrado em operações

A quantidade de ecstasy e haxixe apreendida em território nacional disparou em 2016, triplicando os números do ano anterior, lê-se na versão preliminar do Relatório Anual de Segurança Interna (RASI). Em relação à droga sintética, dos 50.857 comprimidos alvo de apreensão em 2015 subiu-se no ano passado até às 151.265 unidades. No haxixe, o balanço faz-se em quilos: 2.412 em 2015, 7.061 em 2016, tornando-se, e de longe, a droga mais detetada em Portugal. Do lugar cimeiro saiu a cocaína, cujas apreensões desceram 83%, passando das seis toneladas para pouco mais de mil quilos. Também a heroína baixou.

Os comprimidos de MDMA chegam principalmente da Holanda por via aérea e terrestre, tendo Portugal e o Brasil como destinos finais. Mas nesta área das drogas sintéticas há uma nova tendência. “Verifica-se um crescendo da utilização da Internet, em especial da darknet, por parte de indivíduos isolados e de grupos criminosos, para comercializarem os mais diversos tipos de drogas ilícitas e de novas substâncias psicoativas, que os consumidores recebem diretamente, por via postal, nos seus domicílios”, divulga o RASI.

Portugal mantém-se, ao mesmo tempo, como país de chegada de vários tipos de drogas e país de trânsito de haxixe e cocaína, provenientes de Marrocos e da América Latina, respetivamente, e que têm como destino final outros países europeus. A distribuição interna é realizada por redes organizadas, pequenas e de cariz familiar, que importam e distribuem. A expansão europeia está na mão de estruturas criminosas mais sofisticadas, que introduzem grandes quantidades de droga em Portugal recorrendo a embarcações nacionais, e respetiva tripulação, e a contentores de empresas de importação. No transporte por via aérea usam correios de droga, conhecidos por 'mulas'.

Os crimes relativos a estupefacientes registaram em 2016 mais 614 participações, ascendendo às 7255, sendo que a esmagadora maioria diz respeito a tráfico, Foram detidas 5861 pessoas, quase todos homens com 21 ou mais anos, "Em termos de nacionalidade verifica-se que 664 dos detidos têm nacionalidade estrangeira, o que demonstra o carater transnacional do fenómeno", lê-se no documento.

Em resultado das detenções, foram apreendidas 2552 telemóveis, 382 balanças, 332 viaturas, 131 armas, 6 barcos, 3 telefones satélite, 2 iPad e €3.008.653 em dinheiro.