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Sociedade

Crimes informáticos tiveram “aumento generalizado”

Joe Raedle/GETTY

A sabotagem informática subiu 140% em 2016. Na área dos cyberattacks (ataques informáticos), “a maior parte dos crimes continua a ter motivação económica”, como extorsão, phishing e CEO fraud

Crimes informáticos e com recurso a tecnologia informática registaram um "aumento generalizado" em 2016 face ao ano anterior, destacando-se uma subida de 36% nos casos de pornografia de menores, segundo o Relatório Anual de Segurança Interna (RASI), divulgado esta sexta-feira.

O crime de sabotagem informática subiu 140%, o dano relativo a dados ou programas informáticos 121% e a falsidade informática 58%, adiantam dados da Polícia Judiciária compilados no relatório, em relação à criminalidade investigada na área da segurança informática.

Dados da Direção-Geral de Política de Justiça, também citados no relatório, revelam um aumento dos crimes informáticos de 299 casos em 2006 para 801 em 2016, mais 142 do que no ano anterior (21,5%).

Da criminalidade investigada, o crime de burla informática e nas comunicações apresenta igualmente um aumento (19%), o que poderá ser explicado pelo facto de, "em razão de irregular classificação, terem sido ali incluídos crimes informáticos previstos na Lei do Cibercrime e outros que podem ser praticados com recurso à tecnologia informática".

O RASI assinala que, na área dos cyberattacks (ataques informáticos), “a maior parte dos crimes continua a ter motivação económica”, como extorsão, phishing e CEO fraud, ou hacktivista, como os anonymous e movimentos semelhantes, sendo que alguns dos principais atores criminais continuam ligados a fraude com cartões de crédito (carding).

Dos elementos da investigação, prossegue o documento, os crimes de extorsão ('ransomware') registam "tendência crescente", ao contrário dos casos de extorsão designados por scareware.

Da investigação, aponta o relatório, "parece resultar um aumento significativo de expedientes que tiram partido de produtos e serviços bancários", referindo o exemplo dos cartões virtuais ou pré-pagos.

Os casos acompanhados revelam ainda o crescimento de danos por 'ransomware', processos de branqueamento de 'phishing' através de meios virtuais, o que inclui empresas internacionais, sobretudo baseadas no Reino Unido, e a estabilização de moedas virtuais como o bitcoin.

"Os dados pessoais poderão constituir uma área crescente de crime", alerta o RASI.

As investigações conduziram à constituição de 402 arguidos (abaixo dos 414 em 2015), 35 detenções e uma prisão preventiva, sendo a maioria dos casos respeitante a burla informática e nas constituições.