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Relançado por mais dez anos, Plano Nacional de Leitura quer apostar na ciência e no digital

António Pedro Ferreira

A implementação e monitorização do Plano Nacional de Leitura até 2027 ficará sob responsabilidade de uma comissão que inclui os Ministérios da Educação, Cultura e Ciência, Tecnologia e Ensino Superior

Continuar a apostar na leitura, mas alargá-la a todas as idades e a outras esferas da sociedade, como a literacia científica e digital - é este um dos objetivos principais para os próximos dez anos do Plano Nacional de Leitura (PNL), cujas linhas orientadoras foram aprovadas esta quinta-feira em Conselho de Ministros.

A grande novidade está na criação de uma comissão interministerial, que inclui os ministérios da Educação, da Cultura e da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior. “Privilegia-se no PNL 2027 uma política interministerial, com uma aposta clara na literacia artística e digital e na interação com outras esferas do conhecimento, como a artística, privilegiando sempre a abordagem inclusiva das práticas de leitura”, pode ler-se no comunicado do Conselho de Ministros.

Embora o PNL sempre tenha estado, desde a sua criação em 2006, sob alçada do ministro da Educação (em articulação com os ministros dos Assuntos Parlamentos e da Cultura), “a partir de agora ficará de uma forma mais explícita”, explica ao Expresso Maria Teresa Calçada que, juntamente com Elsa Maria Conde, presidirá a essa comissão. E traz também a esta missão, com o intuito de implementação, acompanhamento e monitorização conjunta, o ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior.

O objetivo? “Fazer uma aposta abrangente na leitura, seja a literária, científica, em papel ou noutros suportes”, explica Teresa Calçada, até agora comissária-adjunta do PNL, sublinhando que esta política interministerial irá facilitar a concretização dessa intenção. Mas, para já, não adianta como irão concretizar-se essas novas linhas estratégicas.

Além de continuar a apostar no aumento dos níveis de literacia, inferiores à média europeia, dos jovens em idade escolar, o PNL quer agora “levar a leitura a outras esferas da sociedade”, mostrando que esta “não é apenas património de alguns” e promovendo hábitos de leitura ao longo da vida: junto de famílias, crianças, jovens e adultos. E, sem descurar o papel das bibliotecas escolares, pretende-se criar condições para a promover nas instituições de ensino superior e da rede de centros de Ciência Viva.

“Em todos os locais onde seja possível dizer 'ler é bom', é isso que vamos fazer”, realça Teresa Calçada. “Queremos mostrar às pessoas que a leitura não passou de moda, está na ordem do dia.”

Criado em 2006, o PNL foi inicialmente coordenado por Isabel Alçada, à qual se seguiu Fernando Pinto do Amaral. Nos primeiros dez anos, o PNL realizou estudos e apostou na promoção do livro e da leitura junto de escolas, com o apoio de municípios, bibliotecas escolares, professores, bibliotecários, pais e alunos. Anualmente, têm sido elaboradas listas de livros recomendados para diferentes níveis de ensino em contexto escolar e familiar.