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Nova investigação nascida da Operação Marquês envolve ex-presidente do Montepio

Luís Barra

De acordo com a SIC, uma certidão extraída do caso Sócrates com suspeitas sobre recebimentos ilegais de comissões por parte de banqueiros e noticiada esta quarta-feira pelo “Diário de Notícias”, tem a ver com um novo inquérito que levou à constituição de Tomás Correia como arguido e revelado em janeiro pelo Expresso

A primeira certidão extraída da Operação Marquês para abertura de um inquérito-crime autónomo, noticiada esta quarta-feira pelo “Diário de Notícias” (DN), está relacionada com uma investigação em que Tomás Correia, ex-presidente do banco Montepio, foi constituído arguido – e que o Expresso revelou em janeiro. O DN publicou esta terça-feira que “os últimos dados enviados pela Suíça para o Ministério Público (MP) revelaram novas suspeitas sobre banqueiros e recebimentos de comissões ilegais”. Citando um despacho de Rosário Teixeira, o procurador que coordena a investigação ao caso em que o ex-primeiro-ministro José Sócrates é suspeito de corrupção, o jornal descreve os novos suspeitos como “pessoas distintas” daquelas que estão implicadas na Operação Marquês, sendo “cidadãos portugueses” que “tinham responsabilidades em instituições financeiras e na concessão de crédito”. A informação de se trata do mesmo processo em que Tomás Correia é arguido foi confirmada entretanto pela SIC e noticiada no Primeiro Jornal desta terça-feira.

A 7 de janeiro, o Expresso revelava que Tomás Correia, que esteve como presidente da Caixa Económica Montepio (banco) entre 2008 e 2015 e é atualmente presidente da Associação Mutualista Montepio (dona do banco), foi constituído arguido num inquérito-crime que teve origem na Operação Marquês e que envolve suspeitas de terem sido cometidos crimes de burla qualificada, abuso de confiança, branqueamento de capitais, fraude fiscal e corrupção num negócio de financiamento bancário para a compra de 50 hectares de terrenos na Amadora, numa área conhecida como Marconi Parque e que fica nas traseiras do hipermercado Continente de Alfragide. O financiamento, no valor de 74 milhões de euros, foi dado a meias pelo Montepio e pelo Banco Espírito Santo (BES) a um fundo de investimento imobiliário fechado, o Invesfundo II.

Em causa, segundo avançou o Expresso a 28 de janeiro, estão suspeitas de Tomás Correia ter recebido 1,5 milhões de euros de José Guilherme, construtor civil da Amadora que ficou conhecido por ter dado 14 milhões de dólares ao banqueiro Ricardo Salgado. José Guilherme é um dos donos do Invesfundo II –o fundo que obteve os 74 milhões de empréstimos – juntamente com João Silvério, um outro construtor da Amadora, pai de Jorge Silvério, responsável pela urbanização do Marconi Parque e também ele constituído arguido.

As alegadas transferências para Tomás Correia foram feitas entre 2006 e 2007 a partir de contas do banco suíço UBS tituladas por duas companhias offshore cujos beneficiários finais são José Guilherme e o seu filho e sócio Paulo Guilherme, e tiveram como destino uma conta numérica, um tipo de conta bancária que não tem um nome titular associado mas apenas um número e que é acedida através de um código que só o beneficiário conhece. Tomás Correia garantiu na altura ao Expresso, através do seu assessor de imprensa, António Cunha Vaz, que “nunca” teve qual relação comercial com qualquer cliente do banco nem nunca recebeu transferências de qualquer cliente do banco em contas na Suíça”.