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Envelhecimento da população portuguesa só vai parar em 2049

ADEK BERRY

As projeções feitas pelo Instituto Nacional de Estatística revelam que a população de Portugal poderá passar de 10,292 milhões de habitantes em 2017 para 7,478 milhões em 2080. O ano de 2031 será marcante, com a população a descer abaixo do número simbólico dos 10 milhões de habitantes, que todos decorámos nos bancos da escola

Virgílio Azevedo

Virgílio Azevedo

Redator Principal

O envelhecimento da população portuguesa vai estabilizar apenas em 2049, revelam as últimas projeções do Instituto Nacional de Estatística (INE) até 2080. As contas do INE foram feitas para três cenários: pessimista, otimista e médio.

O número de idosos passará de 2,1 para 2,8 milhões entre 2017 e 2080. Face ao decréscimo da população jovem, a par do aumento da população idosa, o índice de envelhecimento mais do que duplicará, passando de 147 para 317 idosos por cada 100 jovens em 2080.

O índice de envelhecimento só tenderá a estabilizar perto de 2060, quando as gerações nascidas num contexto de níveis de fecundidade abaixo do limiar de substituição das gerações – isto é, cerca de 2,1 filhos por mulher – já se encontrarem no grupo etário dos 65 anos ou mais.

O INE fez também projeções pas as sete regiões NUTS II do país – Norte, Centro, Área Metropolitana de Lisboa, Alentejo, Algarve, Açores e Madeira –, tendo concluído que estas tendências são em geral transversais a todas as regiões NUTS II.

Entretanto, a população em idade ativa diminuirá de 6,7 para 3,8 milhões de pessoas. E o índice de sustentabilidade (quociente entre o número de pessoas com idades entre 15 e 64 anos e o número de pessoas com 65 e mais anos) poderá diminuir de forma acentuada, face ao decréscimo da população em idade ativa, a par do aumento da população idosa. Este índice passará de 315 para 137 pessoas em idade ativa, por cada 100 idosos, entre 2015 e 2080.

Forte queda no número de jovens

Quanto ao número de jovens, diminuirá de 1,5 para 0,9 milhões. Mesmo admitindo "aumentos no índice sintético de fecundidade, resulta, ainda assim, uma diminuição do número de nascimentos, motivada pela redução de mulheres em idade fértil, como reflexo de baixos níveis de fecundidade registados em anos anteriores", explica o INE em comunicado.

As Projeções de População Residente são publicadas pelo INE a cada três anos, sendo desagregadas por sexo e por idade, para Portugal e para as regiões NUTS II. Foram definidos quatro cenários de projeção da população: baixo, central, e sem migrações, com base em diferentes conjugações das hipóteses alternativas de evolução das componentes de evolução demográfica: pessimista, central e otimista para a fecundidade; central e otimista para a mortalidade; e pessimista, central e otimista, para as migrações, a que se juntou ainda uma hipótese sem migrações.

Os resultados obtidos não devem ser entendidos como previsões, uma vez que são condicionados pelo volume e pela estrutura da população, no momento de partida (2017) e pelos diferentes padrões de comportamento da fecundidade, da mortalidade e das migrações, estabelecidos em cada um dos cenários, ao longo do período de projeção.

[Texto alterado às 11h55]