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Mortes na estrada. Surpresa, Portugal é uma das estrelas da Europa

ARMÉNIO BELO / LUSA

Número de portugueses que perderam a vida no asfalto caiu quase 40% desde 2010. Só a Lituânia e a Grécia têm resultados tão bons neste período. Ainda assim, todos os dias morrem 70 europeus nas estradas, segundo dados revelados pela Comissão Europeia na Conferência de Malta, que se inicia esta terça-feira, e onde o Expresso está presente

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

O Mediterrâneo não traz apenas más notícias. De Malta, onde se inicia esta terça-feira uma conferência da Comissão Europeia sobre prevenção rodoviária, surgem também números animadores: os portugueses estão a morrer menos em acidentes nas estradas. Muito menos. Se em 2010 havia 80 pessoas (por 1 milhão de habitantes) a perderem a vida no asfalto, em 2016 eram 54. A quebra de quase 40% é uma das maiores registadas naquele período entre os países da União Europeia. No grupo da frente surgem também a Lituânia (-37%) e a Grécia (-35%). Mal, parece estar o país anfitrião, que registou uma subida de 69% de óbitos, o pior resultado neste período.

Ainda assim, em números absolutos Portugal está ligeiramente pior do que a média da União Europeia, que era de 50 mortos (por um milhão de habitantes) em 2016.

Mais boas notícias: se em 2010 havia cinco países europeus com mais de cem mortos nas estradas (por um milhão de habitantes), no ano passado nenhum ultrapassou a fasquia negra. No entanto, Bulgária e Roménia estiveram quase lá, com 99 e 97 óbitos, respetivamente. Já os países que dão o (bom) exemplo são Suécia, Reino Unido, Holanda e Espanha, onde se morre muito menos (entre 27 e 37 mortos por 1 milhão de habitantes).

Se Portugal surge no top-3 no que diz respeito ao período 2010-2016, o mesmo não acontece na comparação estatística entre 2015 e 2016, em que aparece já depois da Lituânia (-22% de mortos), Letónia e República Checa (-16%), Bélgica (-13%), Eslováquia e Croácia (-12%) e Áustria (-11%). Portugal contabiliza uma descida de 10%, ainda assim superior à generalidade dos outros países e à da própria UE. As estatísticas de 2016 mostram uma diminuição global de 2% do número de vítimas mortais registado na Europa em relação ao ano anterior.

Chega-se rapidamente à conclusão de que no ano passado as estradas da Europa foram as mais seguras do mundo: 50 mortes num milhão de pessoas, contra uma média de 174 no resto do mundo. No total, 25,5 mil pessoas morreram nas estradas europeias em 2016, ainda assim menos 600 do que em 2015 e menos 6 mil do que em 2010.

Uma coisa é certa: todos os dias morrem perto de 70 europeus nas estradas. A maior parte (55%) em estradas rurais e só uma minoria (8%) em autoestradas. Os restantes 37% perdem a vida nas zonas urbanas.

Não surpreende que se morra mais nos carros (são 46% dos casos da sinistralidade). Os peões surgem depois (21%) e mais abaixo as motos (14%) e as bicicletas (8%).

135 mil feridos graves

A Comissão Europeia lembra que após dois anos de estagnação, 2016 marca o regresso de "uma tendência positiva". Nos últimos seis anos, a sinistralidade rodoviária sofreu uma redução de 19%. Embora este ritmo seja "encorajador", pode, no entanto, ser "insuficiente" para que a UE possa alcançar o seu objetivo de reduzir para metade a mortalidade nas estradas entre 2010 e 2020. "Esta situação requer mais esforços de todas as partes interessadas e, em particular, das autoridades nacionais e locais, que devem desenvolver a maior parte das atividades quotidianas, como a aplicação e a sensibilização", diz o comunicado da Comissão, divulgado esta terça-feira.

Violeta Bulc, comissária responsável pelos Transportes, refere que "as estatísticas de hoje representam uma melhoria e uma tendência positiva que deve prosseguir”. Mas alerta que não são estes dados que mais a preocupam: “Antes as vidas perdidas e as famílias destroçadas”. E realça: “Hoje iremos perder outras 70 vidas nas estradas da UE e os feridos graves serão cinco vezes mais”. Bulc quer por isso apelar a todas as partes interessadas que “intensifiquem os seus esforços, para que possamos cumprir o objetivo de reduzir para metade o número de mortes na estrada entre 2010 e 2020”.

2016 foi também o ano em que a Comissão publicou pela primeira vez que dados sobre ferimentos graves resultantes de acidentes de viação, que atingiram 135 mil pessoas. Entre as principais vítimas estão peões, ciclistas e motociclistas.

A conferência em Malta, que decorre esta terça e quarta-feira, reúne peritos em segurança rodoviária e decisores políticos dos vários países da Europa. No final, será aprovada uma declaração durante a Conferência Ministerial.