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Eduardo Dâmaso assume direção da "Sábado"

Reestruturação em curso na Cofina leva diretor do "Correio da Manhã" e da CMTV, Octávio Ribeiro, a assumir também o cargo de "publisher" daquele grupo de media

O jornalista Eduardo Dâmaso vai assumir a direção da revista "Sábado". O até agora diretor-adjunto do "Correio da Manhã" foi esta tarde formalmente anunciado à redação da newsmagazine como próximo diretor, ocupando assim a vaga criada pela saída do jornalista Rui Hortelão, anunciada terça-feira da semana passada.

Mas a passagem de Dâmaso para a "Sábado" - onde terá como diretor-adjunto o jornalista João Carlos Silva - não será a única alteração no organograma de publicações do grupo Cofina: Octávio Ribeiro, diretor do Correio da Manhã e da CMTV passará a acumular essa funções com o cargo de 'publisher' da Cofina.

Nestas novas funções, segundo notícia avançada no próprio site do "Correio da Manhã", Octávio Ribeiro passa, "numa primeira fase" a ter também a tutela editorial das publicações "Sábado" e "TVGuia" da revista online "Flash" e do jornal gratuito Destak. Fora de causa não estará, portanto, a possibilidade de o jornalista estender essas funções a outras publicações do grupo. No portefólio do grupo Cofina estão ainda jornais como o "Record" e o "Negócios".

O anúncio deste novo organograma da Cofina acontece uma semana depois de ter sido anunciada a saída de Rui Hortelão da direção da "Sábado". No comunicado então divulgado pelo grupo foi avançado que Hortelão saía para abraçar novos projetos.

A saída ocorreu, no entanto, duas semanas depois de terem sido enviadas queixas contra o o ex-diretor da revista para a Entidade Reguladora para a Comunicação Social, para a Comissão da Carteira Profissional de Jornalista e para o Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas pelo alegado exercício – à margem da "Sábado" –de funções incompatíveis com a profissão de jornalista.

Em causa está a alegação de que Hortelão acumulava as funções de diretor da "Sábado" com a qualidade de sócio-gerente de uma empresa – a Coquette & Butterfly, Lda – que se dedica, entre outras coisas, à edição de publicações em papel e digital, à organização de eventos, à venda e gestão de espaços publicitários e à consultoria a empresas. Ora, estas últimas funções colidem com o Estatuto do Jornalista, que estipula no artigo 3.º que o exercício da profissão é incompatível com "funções de angariação, conceção ou apresentação de mensagens publicitárias" e "funções remuneradas de marketing, relações públicas, assessoria de imprensa e consultoria em comunicação ou imagem, bem como de orientação e execução de estratégias comerciais".

Ao Expresso, porém, Rui Hortelão garantiu que não houve "uma relação causa-efeito entre estas queixas e a saída da direção da revista" e invocou o conteúdo e o tom do comunicado da Cofina que formalizou a sua saída do grupo para prová-lo. Sem aprofundar o teor das queixas contra si, assegurou apenas estar convicto de que irá provar – se para isso for chamado – que não exerceu quaisquer funções incompatíveis com o jornalismo. Nomeadamente, por ter deixado de ocupar o cargo de sócio-gerente da empresa antes de ingressar na "Sábado" e por, quando exerceu funções na Coquette & Butterfly, Lda, entre 2011 e 2013, ter apenas desenvolvido projetos de índole editorial e não comercial.