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Pescador esteve 56 dias à deriva no mar até ser salvo

Uma invulgar história de sobrevivência que teve início nas Filipinas e acabou num lugar distante

Luís M. Faria

Jornalista

Um pescador filipino passou 56 dias no mar antes de ser resgatado por um barco, muito longe do seu local de partida. A história, publicada agora em diversos jornais internacionais, passou-se entre dezembro e março.

No final do ano passado, um homem de 21 anos chamado Rolando Omongos e o seu tio Reniel saíram do porto de General Santos. Iam num bote que acompanhava um barco muito maior. A certa altura, desencadeou-se uma tempestade que acabou por separar as duas embarcações, levando a mais pequena para o alto-mar.

O bote rapidamente ficou sem combustível. Também não havia a bordo comida ou instrumentos de pesca. O que valeu aos dois homens foram dois jarros de plástico com cinco litros de água cada um, que depois serviram para recolher água da chuva.

Segundo a irmã de Reniel e mãe de Rolando contou à Agence France Press, “eles perderam a voz ao fim de uma semana e o meu irmão a seguir morreu. O meu filho chorou, mas os seus olhos estavam secos. Ele manteve o corpo a bordo para o caso de passar algum barco que os salvasse, mas não apareceu ninguém e ele atirou-o para a água quando começou a decompor-se e a cheirar”.

Ao fim de quase dois meses, finalmente, um barco encontrou e recolheu Rolando. Desidratado, esfomeado, enfraquecido e queimado pelo sol, as correntes tinham-no levado para um lugar a milhares de quilómetros das Filipinas. Acabou por ser deixado em Rabaul, na Papua Nova Guiné.

É lá que neste momento ainda se encontra. A sua mãe, que entretanto recebeu a notícia, ficou delirante. Como toda a gente na terra de Rolando, já o dava por morto. Alguns dias após o salvamento, os dois falaram pelo telefone. Os médicos dizem que ele está bem e já só falta as autoridades concluírem as formalidades da repatriação.

Enquanto espera, Rolando continua a viver no seu barco.