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Caso dos Comandos vai ter 14 arguidos

Tiago Miranda

O capitão Rui Monteiro, comandante da Companhia de Formação do Regimento dos Comandos, foi ouvido esta tarde como arguido pelo DIAP de Lisboa mas não prestou declarações. Investigação às duas mortes do curso 127 está longe do fim

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

A investigação às mortes dos recrutas Hugo Abreu e Dylan Silva está longe do fim. Esta segunda-feira, a procuradora Cândida Vilar, titular do processo no Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa, ouviu o décimo arguido do caso, o capitão Rui Monteiro. Mas o Expresso sabe que o comandante da Companhia de Formação do Regimento de Comandos remeteu-se ao silêncio, não prestando declarações.

Acabou por ser indiciado pelo crime de abuso de autoridade militar por ofensa à integridade física.

Esta semana, tal como o Público já escreveu e o Expresso confirmou, serão ouvidos mais quatro responsáveis do curso 127 dos Comandos. Com estes novos desenvolvimentos, sobe para 14 o número de arguidos do caso que é investigado desde setembro, altura em que morreram os dois jovens aspirantes a Comandos, num dia em que as temperaturas ultrapassaram os 40 graus no Campo de Tiro de Alcochete (Setúbal).

Entre os militares que já foram anteriormente constituídos arguidos está o tenente-coronel Mário Maia, que como o Expresso anunciou na última semana, deverá ter de regressar de Angola, onde está a dar formação militar, para ser interrogado por suspeitas do crime de insubordinação por desobediência.

A Polícia Judiciária Militar e os procuradores do DIAP de Lisboa querem perceber porque razão não obedeceu às ordens do general Faria de Menezes, comandante das Forças Terrestre, que exigiu a suspensão imediata da recruta, logo após a morte do primeiro jovem militar, Hugo Abreu. Tal não aconteceu. No dia seguinte, realizaram-se treinos, ainda que ligeiros no Campo de Tiro de Alcochete.

Recentemente, o Exército anunciou que vai mesmo avançar com o curso 128 dos Comandos, no início de abril. O Chefe do Estado-Maior do Exército (CEME), o general Frederico Rovisco Duarte, deu conhecimento da data ao ministro da Defesa, José Azeredo Lopes.

A próxima formação dos Comandos vai assim ter início cerca de sete meses depois das duas mortes de Hugo Abreu e Dylan Silva, instruendos do curso 127.