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Há menos queixas de violência doméstica e sexual em Los Angeles. Possível motivo: o receio da deportação

David McNew / Getty Images

O chefe da polícia local parece ter certeza de que está em causa um efeito Trump, mas há quem duvide

Luís M. Faria

Jornalista

As queixas sobre abuso sexual e violência doméstica em Los Angeles baixaram substancialmente desde que Donald Trump tomou posse. É a informação dada pelo chefe da polícia local, Charlie Beck. O motivo da baixa não será o facto de esses crimes se terem tornado muito frequentes, mas de muitas vítimas não quererem correr o risco de ser deportadas.

“Imagine a sua irmã, a sua mãe, não reportar uma agressão sexual com medo de que a sua família possa ficar partida”, disse Beck. As estatísticas, no entanto, parecem claras. Numa cidade onde metade da população é latina, as queixas sobre violência doméstica baixaram 10%. Nos caso dos assaltos sexuais, a redução foi superior: 25%. São mudanças demasiado grandes para não se tentar perceber o que as determina.

Na opinião do chefe da polícia, há uma clara relação com o endurecimento da posição do governo em relação aos imigrantes ilegais, cujo número já ultrapassará os onze milhões. O Presidente Donald Trump tem declarado insistentemente a sua intenção de os expulsar dos Estados Unidos, o que provoca ansiedade em muitas famílias.

Há quem questione isso, sugerindo motivações políticas por trás da ideia de que a aplicação mais intensa da lei está a agravar problemas sociais. Mas Jorge-Mario Cabrera, representante do grupo pró-imigrante CHIRLA, não tem dúvidas: “Vemos famílias de imigrantes potencialmente com tanto medo do castigo último, representado pela deportação, que podem renunciar à sua hipótese de justiça. É horrível e impensável”, acusa.

Luís M. Faria