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Câmara de Lisboa vai substituir viaduto de Alcântara “mais dia, menos dia”

NUNO FOX / Lusa

O viaduto sofreu, na quarta-feira, um desvio num dos pilares e obrigou a condicionar o trânsito naquela zona. A circulação automóvel na parte superior do viaduto ainda não foi restabelecida, estando dependente de uma avaliação

O vereador do Urbanismo da Câmara de Lisboa disse esta quinta-feira que a autarquia vai substituir, “mais dia, menos dia”, o viaduto de Alcântara, que na quarta-feira sofreu um desvio num dos pilares e obrigou a condicionar o trânsito naquela zona.

“Este viaduto, dito como provisório, existe desde 1971 ou 1972 e tem tido variadíssimas reparações. Aquilo que se justifica, mais tarde ou mais cedo, é que terá de ser substituído”, disse Manuel Salgado, em declarações à agência Lusa.

Recordando que o estudo urbanístico Alcântara XXI, realizado pela Câmara de Lisboa e pelo Governo em 2005, previa a construção de uma rotunda e de um túnel rodoviário entre as avenidas de Ceuta e Brasília, Manuel Salgado assinalou que “isso ainda está em cima da mesa e, portanto, mais dia, menos dia vai avançar”. “Se calhar mais perto do que se pensava”, referiu o autarca, apontando que “o plano de Alcântara já está a começar a ser executado”, com a instalação de um hospital privado na zona e com outras operações imobiliárias de privados.

A responsabilidade de tal construção é da Câmara de Lisboa, cabendo à Infraestruturas de Portugal licenciar. "Não estava previsto para o curto prazo, mas justifica-se começar a pensar na sua construção”, reforçou Manuel Salgado.

O viaduto de Alcântara liga a Avenida de Ceuta às Docas, passando por cima das avenidas da Índia e Brasília. Esta estrutura, que nasceu como uma solução provisória no início da década de 1070, foi reabilitada em 2005, quando Pedro Santana Lopes (PSD) era presidente da Câmara Municipal. Os trabalhos, orçados em 1,5 milhões de euros, incluíram a colocação de piso antiderrapante, o reforço das estruturas com chapas metálicas e a beneficiação geral da infraestrutura.

A intervenção foi realizada na sequência de um relatório do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), segundo o qual o viaduto “não oferecia segurança para a circulação rodoviária de pesados”. Este assunto esteve em debate no período antes da ordem do dia da reunião privada desta quinta-feira com o PSD e o PCP a defenderem a construção de uma nova infraestrutura.

Falando à Lusa, o social-democrata António Prôa vincou que “este incidente é uma ótima motivação para que a Câmara invista num novo viaduto, que se verificou urgente”. Pelo PCP, Carlos Moura realçou que “esta estrutura tem um tempo de vida já ultrapassado”, ainda para mais estando localizada numa “zona inundável, com sismicidade e trepidação provocada pelo trânsito rodoviário e ferroviário”. Já o centrista João Gonçalves Pereira questionou se a Câmara “vai lançar um inquérito para apurar responsabilidades” do dano no viaduto.

Manuel Salgado apontou que “uma das hipóteses, para qual havia alguns indícios, nomeadamente no guarda-corpos, era de ter havido um embate de um veículo pesado”. “Ou, eventualmente, uma travagem que pudesse criar ali uma situação anómala”, assinalou, frisando ser, contudo, “prematuro dizer que as causas foram essas”. “Há muita coisa que tem de ser considerada e avaliada”, concluiu.

No encontro, foi aprovada uma moção do PSD para os vereadores obterem, em 60 dias, informações sobre inspeções realizadas a este viaduto (e a outros locais onde se verificaram problemas recentemente, como a Avenida de Ceuta e a Rua Damasceno Monteiro), para se assegurar a conservação destas infraestruturas e ainda para envolver o LNEC no acompanhamento destes processos.

A circulação automóvel na parte superior do viaduto ainda não foi restabelecida, estando dependente de uma avaliação.