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Metade das crianças do Grande Porto tem falta de vitamina D

NFACTOS/FERNANDO VELUDO

Estudo do CINTESIS revela que que menores dos 5 aos 17 anos da região do Porto apresenta défive de vitamina D, deficiência atribuída a escassas atividades ao ar livre e ao excesso de horas em sala de aulas ou em casa

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

Um estudo da pediatra Carla Rêgo, investigadora do CINTESIS (Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde), conclui que cerca de metade das crianças e adolescentes do Grande Porto apresenta níveis de vitamina D abaixo do normal, independentemente do estado de nutrição, deficiência que “é um potencial problema de saúde pública”.

Na população avaliada, a prevalência de carência em vitamina D foi de 48%, sendo que em 6% dos casos se registou um défice severo e em 5% das crianças com idades dos 5 aos 17 anos revelaram “um compromisso de mineralização óssea”.

“Os resultados deste estudo levam a repensar as recomendações relativas a suplementos em vitamina D às crianças portuguesas e, acima de tudo, reforçam a necessidade de promover mudanças nos estilos de vida”, alerta a investigadora, que sublinha que a falta de vitamina D comporta um elevado risco da saúde óssea, “uma vez que dois terços da massa óssea são formados na adolescância”.

Para contrariar a tendência crescente, Carla Rêgo defende suplementação farmacológica ou o enriquecimento de alguns alimentos como o leite, de forma a compensar a insuficiente exposição solar nos meses de inverno na região e o inadequado estilo de vida dos menores, quase sempre com escassas atividades ao ar livre e por um grande número de horas passadas em sala de aulas ou em casa.

A investigadora refere ser importante a integração de rastreios na consulta de Vigilância da saúde infantil e juvenil, bem como a necessidade de estudos aos níveis de vitamina D na população pediátrica em todo o país, “face à existência de estudos que demonstram uma associação entre a deficiência desta vitamina e o aumento do risco de doenças crónicas, como as cardiovasculares, cancro, doenças autoimunes e diabetes tipo 1 em idade adulta”.

Apesar de os protetores solares com filtros elevados serem um fator de compromisso da síntese cutânea de vitamina D, Carla Rêgo referiu ao Expresso que a saúde da pele e a prevenção de cancro cutâneo não podem ser descuradas, sendo a proteção inquestionável. “A prevenção de cancro de pele deve estar sempre presente na atitude dos pais e crianças como prioritária, apenas podendo ser dispensados nas fases iniciais e finais do dia nas crianças acima dos dois anos”, frisa a investigador do CINTESIS, localizado no Porto, Unidade de Investigação e Desenvolvimento (I&D) que tem por missão encontrar respostas a curto prazo para problemas de saúde concretos, agregando 350 investigadores e a colaboração de várias universidades, do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, do Instituto Superior de Engenharia e da Escola Superior de Enfermagem do Porto.

Carla Rêgo lembra que os suplementos de vitamina D são comparticipados, quer os recomendados em idade pediátrica, bem como os utilizados em idade adulta, sendo a toma de suplementação em vitamina D “obrigatória no primeiro ano de vida e em crianças ou adolescentes saudáveis mas que o estilo de vida ou a existência de obesidade comprove o défice da vitamina”.