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PJ detém os seis suspeitos de assalto violento em Sintra

O alvo dos assaltantes era uma carrinha de valores que se encontrava à porta de um hipermercado em Lourel

MÁRIO CRUZ/LUSA

Grupo é suspeito da morte de um condutor depois de um roubo a uma carrinha de valores no Lourel (Sintra). As três detenções mais recentes levaram ao desmantelamento do grupo

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

Três dos seis suspeitos do assalto a uma carrinha de valores no Lourel (Sintra) em fevereiro do ano passado foram detidos nas últimas horas pela Unidade Nacional Contra Terrorismo (UNCT), da Polícia Judiciária. Um quarto suspeito já tinha sido extraditado do Reino Unido, no início do ano, e os outros dois assaltantes tinham sido entretanto detidos no âmbito de outros processos.

Em conferência de imprensa, Luís Neves, o diretor da UNCT, revela que o grupo está "integralmente identificado" e traça o perfil dos suspeitos: "são homens de 30 anos, portugueses, com vasta experiência de crimes violentos e alguns deles já tinham sido condenados a vários anos de prisão por crimes semelhantes." Na dezena de buscas da UNCT, realizadas há poucas horas na área da Grande Lisboa, além das três detenções foram ainda apreendidas várias armas.

A Polícia Judiciária emitiu um comunicado sobre o assunto ao final da manhã para confirmar as detenções de mais três dos presumíveis suspeitos do grupo, ao qual "se imputa a autoria de um crime de homicídio, bem como de um crime de roubo qualificado a funcionário de empresa de segurança, que integrava a tripulação de uma carrinha de transporte de valores, factos que ocorreram em Lourel – Sintra, no dia 28 de fevereiro 2016".

O comunicado adianta que depois do assalto à carrinha de transporte de valores, e já durante a fuga, o carro onde viajavam os suspeitos despistou-se. Depois, "balearam um condutor que circulava com a família na A16, provocando quase de imediato a sua morte".

Tratava-se de um empresário de 49 anos. "Um pai de família que foi morto de forma gratuita", salienta Luís Neves.

Na altura, os investigadores da UNCT encontraram um revólver abandonado num dos dois Audi A3 usados pelos assaltantes. Os cartuchos das armas disparadas contra o Mercedes onde seguia a vítima mortal do assalto, foram outras pistas analisadas. Bem como o interior dos dois Audi A3 roubados, que foram usados pelos assaltantes e que acabaram por ser abandonados: um no parque do hipermercado e o outro no meio da A16, depois do despiste da viatura.

A Polícia Judiciária tinha já capturado um dos alegados autores dos crimes, através do cumprimento de um mandado de detenção europeu. O suspeito foi extraditado do Reino Unido, no início do ano, país para onde tinha fugido logo após o crime em Sintra.

Por sua vez, os outros dois suspeitos já tinham sido identificados e detidos "à ordem de outros inquéritos".

"Com a detenção de mais estes três suspeitos, fica integralmente identificada a composição da estrutura criminosa agora desmantelada, sendo possível imputar-lhe outros crimes de roubo a carrinhas de transporte de valores", diz a PJ, que conclui: "Os elementos integrantes desta associação criminosa são detentores de antecedentes criminais, tendo alguns deles já cumprido longas penas de prisão pelo cometimento de crimes violentos."

Luís Neves não considera que as últimas detenções (realizadas um ano depois do crime) sejam tardias. "Não é muita a demora quando se consegue esclarecer um crime deste tipo", ressalva. E faz notar que num mês foram desmantelados três grandes grupos criminosos da mesma natureza.

[atualizado às 12h33 com as declarações de Luís Neves, diretor da UNCT]