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Elas são o sangue que corre na nossa veia social

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Os portugueses estão viciados nas redes sociais e já não prescindem delas no dia a dia. Passam mais de uma hora e meia ligados, e o Facebook continua a ser a adição da maior parte, no topo das prioridades está a vontade de comunicar

João Miguel Salvador

João Miguel Salvador

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Jornalista

Carlos Esteves

Carlos Esteves

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As redes sociais funcionam como o sistema circulatório. Às veias e artérias principais (as maiores e pelas quais corre a maior parte dos conteúdos), juntam-se outras mais pequenas por onde circulam temas que interessam a grupos mais pequenos da população. Algumas não passam de capilares e têm um número de utilizadores residual, mas não será por isso que perdem a sua importância. Já não se vive sem elas e tornou-se quase impossível resistir-lhes. Seja de tipo Facebook, Twitter, Instagram, LinkedIn ou Snapchat — de acordo com os dados disponibilizados pela Marktest, são estas e por esta ordem as marcas mais presentes na cabeça dos utilizadores —, este novo sangue da veia social humana tornou-se primordial à vida. E nesta diálise, os portugueses não são exceção.

Nos últimos anos, o quotidiano nacional mudou e as redes sociais começaram a fazer parte da rotina. Das 24 horas do dia, já nem todas estão disponíveis e há uma hora e meia que já tem destino assinalado na agenda. São, em média, 91 os minutos dedicados às redes sociais e nem sempre são usados de uma só vez: 67% dos utilizadores portugueses preferem acompanhar o que se passa nas redes ao longo do dia, mesmo que estejam lá mais para ver do que para serem vistos (a verdade é que só 41% fazem publicações diárias). Ao analisar os dados da Marktest Consulting, referentes a 2016, também há um período que parece estar a tornar-se na hora das redes sociais: a maior parte dos acessos acontece entre as 20 e as 22 horas e cada vez mais através de smartphones. O domingo é o dia em que lhes dedicam mais tempo.

O DOMÍNIO DE ZUCKERBERG

O estudo “Bareme Internet”, também da Marktest, estima que haja um total de 4,626 milhões de utilizadores de redes sociais no país — “o que corresponde a 70% dos residentes no continente com idades entre os 15 e os 64 anos”, ilustram —, mas a maior parte concentra-se numa única marca. A empresa de estudos de mercado aponta para o facto de o Facebook, criado por Zuckerberg, ter “atualmente uma taxa de penetração de 66% entre os residentes no continente com idades entre os 15 e os 64 anos e de 94.4% entre os que usam redes sociais nestas faixas etárias”, atingindo assim uma notoriedade ao alcance de poucos.

Aliás, não está ao alcance de nenhuma outra. Entre 2011 e 2016, o número de habitantes portugueses no Facebook aumentou mais de 1,4 milhões, numa variação de 49,3% que fez situar a população virtual nacional ‘facebookiana’ em perto de 4,4 milhões. Segundo os dados analisados pela Marktest Consulting e publicado em 2016, “o Facebook é indubitavelmente a [rede social] mais relevante” em Portugal. O título não é dado em vão, uma vez que além de ser “a rede mais conhecida e mais utilizada”, é também “aquela que mais portugueses consideram como a rede mais credível, a que informa melhor, a que mais gostam, a que tem ou divulga informação mais útil, a mais atual, a mais interessante ou a mais viciante”.

No entanto, num mercado em constante mutação e renovação — os responsáveis pelas redes sociais continuam a adicionar novas ferramentas para cativar a atenção dos utilizadores — nem tudo são rosas. No último ano, 21,2% dos utilizadores de redes sociais admitiram ter abandonado alguma plataforma, com a falta de interesse ou a falta de tempo a minarem a relação. Entre as redes abandonadas, o Hi5 (que muitos já julgavam esquecido) mantém-se como o mais referido por 30% dos que afirmam ter abandonado alguma rede nos últimos 12 meses, seguindo-se o Twitter (21% dos que deixaram) e o Google+ (16%).

Tal como na moda, também nas redes sociais há tendências e as deste ano já foram apresentadas. Zuckerberg quer apostar cada vez mais no vídeo (algo que tem mostrado através das novas funcionalidades apresentadas nos últimos anos) e a sua palavra é uma das mais importantes. O multimilionário é responsável por dois dos ecossistemas de maior sucesso (o Facebook com 1,86 mil milhões de utilizadores ativos e o Instagram com 600 milhões), aos quais junta os produtos WhatsApp e Messenger (com 1,2 mil milhões e mil milhões, respetivamente) e não tem dúvida que o vídeo será mesmo o futuro das redes sociais. Parece que tudo vai correr em torno dele.

NOVAS FORMAS DE COMUNICAR

O estudo “Tendências de Mudança do Consumidor”, elaborado no último ano pela The Consumer Intelligence Lab (C-Lab), mostra que o universo social dos portugueses já não se cinge ao consumo de conteúdos oferecidos pelas principais redes sociais e estas tornaram-se também importantes ferramentas de comunicação. A “utilização de plataformas de simplificação da mensagem” tem vindo a crescer, sendo já 56% (contra 50% em 2015) os que, segundo os dados do C-Lab, recorrem ao WhatsApp como plataforma para comunicar de forma mais informal. A utilização do Instagram para este fim — mesmo que a rede social tenha sido pensada para a componente mais visual — também cresceu seis pontos percentuais em Portugal (para os 47%) , juntando-se aos 150 milhões que, de acordo com a empresa, já partilham histórias da sua vida através da ferramenta Instagram Stories em todo o mundo. Sim, trata-se de uma ideia muito semelhante àquela que popularizou o Snapchat, outra das mencionadas no estudo, mas cuja representação é mais baixa (17% do universo estudado é utilizador). Segundo o estudo dedicado às tendências de consumo, apenas o Twitter parece estar a perder a força (de 34% para 29%).

A realidade nacional também é olhada a partir de fora (ou neste caso do centro). No início de 2016, a Comissão Europeia promoveu o estudo “Information and Communication Technologies in households and by individuals” e Portugal parece estar em linha com a UE no que toca à utilização de plataformas de mensagens. De acordo com o mais recente relatório da ANACOM, dedicado aos “Serviços Over-The-Top (OTT)”, 39% dos utilizadores portugueses de internet efetuaram chamadas de voz ou vídeo sem recorrerem às chamadas móveis tradicionais. As aplicações de instant messaging (que permitem o envio e o recebimento de mensagens de texto em tempo real) fazem cada vez mais furor e são usadas por 47% dos utilizadores portugueses de telemóvel, número que se torna mais interessante tendo em conta que desde o terceiro trimestre de 2015 houve uma subida de 7,5%. De acordo com os últimos dados, estamos até cinco pontos acima da média da UE a 28.

Os portugueses até podem estar completamente viciados nas redes, mas procuram-nas também como forma de simplificar as suas vidas e, segundo os dados analisados pela Marktest em “Os Portugueses e as Redes Sociais”, estas parecem fazer, cada vez mais, parte do quotidiano. As funcionalidades são várias e são muitas as que acabam por ser utilizadas por (quase) todos. Há cinco que são utilizadas pela maioria e é claro que o ato de enviar/receber mensagens surge no topo (com 81% dos portugueses a referir a funcionalidade), seguida pelo serviço de chat (66,5%), os comentários em publicações de amigos (66%), o visionamento de vídeos (65,6%) e a leitura de notícias em sites de informação (64,3%).

UM MINUTO NAS REDES SOCIAIS


3,3
milhões de publicações no Facebook

29
milhões de mensagens enviadas 
através do WhatsApp

66
mil fotografias partilhadas 
no Instagram

449
mil tweets escritos 
e partilhados no Twitter

500
horas de vídeo publicadas no YouTube

Fonte: Smart Insights