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PGR esclarece: final de abril será decisivo para concluir acusação contra Sócrates

Nuno Botelho

Joana Marques Vidal diz que pedido da equipa de investigadores é “justificado” e “deverá ser atendido” e em abril decide quanto tempo dará para concluir investigação a Sócrates. Acusação é adiada pela quinta vez. A PGR sugere que o diretor do DCIAP passe a dirigir a investigação.

Rui Gustavo

Rui Gustavo

Editor de Sociedade

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

A Procuradora-Geral da República, Joana Marques Vidal, anunciou esta sexta-feira o adiamento da conclusão da investigação criminal da Operação Marquês, em que está envolvido o ex-primeiro ministro José Sócrates.Os magistrados pediram até ao final junho para concluir a investigação.

Em despacho enviado hoje aos advogados, a PGR diz que "até ao final de abril" a equipa liderada por Rosário Teixeira deverá fazer um balanço e "indicar o prazo que se mostra ainda necessário, se esse for o caso". Ou seja, Joana Marques Vidal admite um novo adiamento depois deste adiamento sem uma data definida.

No último ponto do despacho, Joana Marques Vidal sugere que o diretor do DCIAP, Amadeu Guerra, adote "medidas tendentes a fortalecer a direção do inquérito", entre as quais a sua "eventual avocação". Ou seja, que o processo deixe de ser dirigido por Rosário Teixeira e passe a ser chefiado pelo próprio diretor do DCIAP, Amadeu Guerra.

De acordo com o mesmo despacho, falta ainda a resposta a várias cartas rogatórias enviadas para o estrangeiro. O comunicado da PGR enviado às redações revela mais pormenores: os procuradores invocam atraso no cumprimento dos pedidos de colaboração a Angola, para constituição e interrogatório a um arguido, e à Suíça, para utilização de meios de prova já disponibilizados para outro inquérito e para obtenção de dados bancários.

Falta também "aprofundar alguns segmentos da investigação", nomeadamente em relação à PT, "que conheceu desenvolvimentos recentemente e carece de maior análise".

O Ministério Público frisa que "não foram abandonadas as imputações iniciais (que já se encontram suficientemente trabalhadas e desenvolvidas) mas o inquérito foi progredindo, adquirindo complexidade e exigindo uma investigação mais aprofundada de fluxos financeiros, designadamente a nível internacional".

O caso tem 28 arguidos (19 pessoas e 9 empresas).

Tal como o Expresso avançou na quarta-feira, as buscas realizadas na terça-feira às instalações do Grupo Espírito Santo (GES) no âmbito da Operação Marquês atrasam o processo e mostram que são consideradas importantes para consubstanciar as provas reunidas.

O Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) deverá também necessitar de mais tempo após interrogar de novo os arguidos e testemunhas do processo.

Antes, Joana Marques Vidal reiterou que o prazo para a conclusão da acusação a Sócrates terminava a 17 de março.

O ex-primeiro ministro está indiciado por corrupção, branqueamento de capitais e fraude fiscal qualificada no âmbito da Operação Marquês.

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