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Troca de seringas nas prisões continua sem adesão

Nuno Botelho

Os técnicos haviam advertido que o programa não ia ser eficaz por a forma como foi delineado implicar a autodelação dos consumidores. Dez anos depois, a previsão confirmou-se

A troca de seringas nas prisões continua sem adesão, quase dez anos após o início do programa experimental que visou diminuir a contaminação de doenças infecto-contagiosas entre reclusos.

Em entrevista à agência Lusa, o diretor-geral do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD) explicou que um dos entraves que este programa teve desde o início foi o facto de implicar a autodelação dos consumidores.

“Desde o início que eu e outros técnicos fomos da opinião de que isso não ia ser eficaz. Tanto quanto sei não houve alteração a esse desenho”, adiantou João Goulão.

O programa experimental de troca de seringas para reclusos nas prisões portuguesas iniciou-se em setembro de 2007 “na vertente teórica” nas cadeias de Lisboa e Paços de Ferreira.

Apesar da falta de adesão a este programa, João Goulão congratulou-se com o facto de, segundo alguns inquéritos em meio prisional, “a tendência ser de um decréscimo muito significativo do consumo por via injetável, quer no período prévio à detenção quer dentro das prisões. Esse decréscimo continua a ocorrer”.

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    “Não os rotulamos de programas terapêuticos, são programas em que a exigência de abstinência não é total, diferentemente dos programas de tratamento, mas são programas de redução de danos”, indica o diretor-geral do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD)