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Sócrates: “As alegações são tão absurdas que não têm o mínimo de sustentabilidade”

Nuno Botelho

Mais de seis horas depois, o interrogatório terminou. O advogado João Delille confirmou que José Sócrates não voltará na terça-feira ao DCIAP para ser ouvido. A Procuradoria Geral da República impôs um prazo para a conclusão da Operação Marquês que termina na próxima sexta-feira

Cerca de seis horas e meia durou o terceiro interrogatório a José Sócrates. Saiu como entrou: com a certeza que o Ministério Público não têm provas para o acusar. Esta segunda-feira, o antigo primeiro-ministro foi convocado pelo Ministério Público para prestar novamente explicações sobre novos factos apurados pela investigação da Operação Marquês, onde é um dos arguidos.

“As alegações são tão absurdas, para não dizer estapafúrdias, que não têm o mínimo de sustentabilidade”, disse José Sócrates à saída do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), em Lisboa, quando questionado sobre a sua intervenção no negócio da PT. “A alegação de que o Governo teria influenciado para que a OPA da Sonae não tivesse sucesso é completamente absurda”, acrescentou.

Lá dentro, contou Sócrates, pediu ao procurador para justificar o que tem sido dito sobre si. Mas, “44 meses depois do inicio da acusação não têm nenhuma prova”.

“Julguei que esta era a última oportunidade para o Ministério Público, finalmente, apresentar elementos de prova, elementos de facto, que pudessem sustentar as suas alegações”, referiu aos jornalistas. “Fiquei espantadíssimo porque o Ministério Público não foi capaz de apresentar nada, a não ser uma escutazinha aqui e outra ali”

A Procuradoria Geral da República impôs um prazo para a conclusão da Operação Marquês que termina na próxima sexta-feira. No entanto, Sócrates não se “espanta” que o despacho de acusação seja adiado.

“É escandaloso que o Ministério Público possa adiar tantas vezes. Há prazos. A lei define prazos máximos. E a lei é para ser cumprida”, reafirmou. “Não me espanta nada que adiem outra vez”, disse ainda.

À semelhança do que defendeu à entrada para o interrogatório (e quem tem dito desde que foi detido), Sócrates referiu que está a ser alvo de uma campanha maldosa e difamatória, com notícias colocadas nos jornais sem apresentar factos.

José Sócrates está indiciado por corrupção, fraude fiscal qualificada e branqueamento de capitais, num processo que investiga crimes económico-financeiros e cujo prazo para o MP arquivar ou deduzir acusação termina sexta-feira.