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O melhor jogo da Nintendo

MUNDO ABERTO. O espaço de jogo é gigantesco e está cheio de pormenores e tesouros para descobrir. Passámos horas a passear só para observar a riqueza da geografia, flora e fauna

Um Zelda como nunca viu, num mundo aberto extenso que podemos explorar a nosso bel-prazer, sem guião predefinido. Talvez o melhor jogo da Nintendo dos últimos 20 anos. E isso é dizer muito!

The “Legend of Zelda” é uma série de videojogos com um historial de respeito, mas Breath of the Wild, disponível para a nova consola Switch e para a Wii U, pode representar bem mais do que apenas a melhor edição da série. Isto porque traz a Nintendo para um “território” novo para a marca enquanto produtora de jogos. Não só em termos de dimensão e complexidade, mas também na própria filosofia de interação com o jogador. Um Zelda que vai convencer mesmo quem não gostava de Zelda. Arriscamo-nos a dizer mais: um jogo capaz de “viciar” mesmo quem sempre embirrou com as personagens da Nintendo.

Apesar de manter algumas imagens de marca, como os muitos balões de diálogo (mas desta vez até há alguns diálogos com áudio reservados para momentos especiais), em “Breath of the Wild” começamos logo a jogar “a sério”. Não temos de passar horas a aprender o básico. Desta vez, a Nintendo resolveu considerar que aos comandos está alguém com inteligência q.b. para perceber a mecânica elementar do jogo. Finalmente! Depois, à medida que exploramos, vamos aprendendo a controlar os comandos (e há muitas variações para dominar), a imensa variedade de armas, os “feitiços” e a arte de, literalmente, cozinhar elementos para recuperar saúde ou ganhar forças especiais.

As dicas apresentadas enquanto o jogo e os diferentes sectores carregam, o que acontece rapidamente, e durante vários momentos do próprio jogo, são tutoriais que não parecem tutoriais. Neste campo, só sentimos falta de melhores instruções para os cozinhados já referidos. Este método de aprendizagem livre também leva a descoberta constante de novos modos de operar – muitas horas depois de termos começado a jogar continuávamos a ser surpreendidos por técnicas que não conhecíamos, algumas delas descobertas acidentalmente.

FORMAS DE VIAJAR. Um género de páraquedas é necessário para sair da zona inicial e explorar o restante mapa. Também é possível domar um cavalo para viajar mais rapidamente

FORMAS DE VIAJAR. Um género de páraquedas é necessário para sair da zona inicial e explorar o restante mapa. Também é possível domar um cavalo para viajar mais rapidamente

Boa parte da aprendizagem decorre na primeira parte do mapa que exploramos que, em larga medida, funciona como um prólogo. Nesta zona vamos descobrir os princípios básicos do jogo e os elementos que unem a história: os Shrine, uns templos subterrâneos que têm puzzles de todo o tipo (alguns são geniais) para resolvermos em troca de poderes, armas e trunfos para podermos progredir; e as torres Sheikah, que revelam zonas no mapa (é possível progredir pelas zonas sem que estejam mapeadas, mas a informação é extremamente útil).

A cada torre e Shrine conquistados fica associado um ponto de “teleportagem” que permite viagens rápidas entre zonas distantes. Estes pontos também surgem em outras zonas importantes de Hyrule – para quem não conhece Zelda, este é o nome do mundo onde Link, a personagem que controlamos, vive todo o tipo de aventuras e de desafios para salvar a princesa que dá nome a todos os jogos da série.

PERSONAGENS RICAS. Ao explorarmos Hyrule encontramos personagens muito interessantes e muitas delas pedem-nos ajuda em aventuras paralelas que aumentam a longevidade deste jogo

PERSONAGENS RICAS. Ao explorarmos Hyrule encontramos personagens muito interessantes e muitas delas pedem-nos ajuda em aventuras paralelas que aumentam a longevidade deste jogo

Sim, a história não é nova, mas isso, como é habitual nos videojogos, não tem verdadeira importância – os bons jogos sabem o que mais importa é interação com o jogador e não o apresentar de uma história mais ou menos cinematográfica.

Explorar, descobrir, combater

O melhor de Breath of the Wild é a mecânica. Não nos referimos especificamente à jogabilidade, mas sim à mecânica enquanto conceito geral. Como os vários elementos interagem uns com os outros e com o jogador. Da descoberta constante dos muitos pormenores deliciosos de Hyrule, até aos combates com monstros bem desenhados usando uma vasta variedade de armas e técnicas de combate. Sem esquecer como a meteorologia, a hora do dia e, é claro, a geografia do terreno, influem no modo como jogamos.

O conceito de “mundo aberto” foi muito bem implementado pela Nintendo. Tirando a parte inicial, dificilmente encontraremos dois jogadores que vão chegar ao fim desta aventura do mesmo modo. Mesmo o estilo de jogo pode ser muito diferente. Por exemplo: um jogador pode preferir usar as boas capacidades de escalada de Link para explorar os mapas, evitando ao máximo as zonas planas e os caminhos principais onde estão a maioria dos monstros; um outro jogador pode preferir domesticar um cavalo e usá-lo para viajar mais rapidamente e para ganhar vantagem nos combates corpo a corpo; um terceiro jogador pode apostar mais em combates furtivos, com utilização de arco e flecha à distância e criação de armadilhas… Considerando a imensidão deste Zelda, é possível repetir a aventura várias vezes, sendo que cada uma delas pode demorar muitas dezenas de horas, e descobrir novas formas de progredir e de jogar. Aliás, depois de dezenas de Shrines conquistados, depois de muitos quilómetros virtuais e depois de centenas de combates, continuamos a descobrir coisas novas. Até porque há muitas missões paralelas que nos atraem constantemente, levando-nos a afastarmo-nos da missão principal.

“The Legend of Zelda: Breath of the Wild” não é propriamente inovador. O conceito das torres, templos, poções, vilas… Já vimos tudo isto em, por exemplo Far Cry. Também não está livre de falhas: os monstros são demasiado estúpidos (não há verdadeira Inteligência Artificial); o controlo do ponto de vista pode ser complicado; há muitos momentos de falta de fluidez quando a Switch está ligada a um televisor (curiosamente, não notámos esse problema em modo portátil); e, na verdade, nem nos sentimos “agarrados” nos primeiros 20/30 minutos de jogo.

Mas a ausência de guião predefinido, a verdadeira liberdade de ação… Em “The Legend of Zelda: Breath of the Wild” raramente sentimos que temos de seguir a lógica de jogo pensada pelos criadores. Não temos de jogar como alguém imaginou, mas sim como queremos, o que é verdadeiramente libertador.