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Do surf para a igualdade de género

Alberto Frias

Movimento fundado e liderado por Emma Watson chega este sábado a Portugal com um dia dedicado à arte na Casa das Histórias de Paula Rego, em Lisboa. O HeForShe, da responsabilidade das Nações Unidas para promover a igualdade de género, defende que esta é uma pré-condição para obter resultados positivos em todas as áreas da sociedade. Uma jovem de 23 anos é a responsável em Portugal

Portugal é o 3º país da Europa onde existe mais desigualdade de género. A nível global, as estimativas dizem que serão precisos 170 anos para existirem condições iguais para homens e mulheres. Números que motivaram as Nações Unidas e a atriz Emma Watson a lançarem o movimento HeForShe, já que as vantagens da igualdade de género não são 'apenas' para as mulheres. A partir deste sábado, estará também representado em Portugal.

Chega pelas mãos de Carolina Pereira, uma jovem que antes de querer mudar os números da desigualdade quis mudar outros mundos. Aos 23 anos, Carolina conta vários feitos à frente da My Destiny, a ONG que criou e está presente em cinco países (Portugal, Brasil, Panamá, Índia e Indonésia).

Uma história que começou com o surf, numa viagem à Indonésia. "É um destino a que todo o surfista quer ir uma vez na vida. Sempre estive envolvida em causas sociais e ambientais e, quando lá cheguei, vi que as diferenças entre homens e mulheres eram muito maiores. E que o surf dava para trabalhar diversos fatores. É uma ferramenta de transformação." A realidade derrubou-a. Nos orfanatos cheios de meninas perguntou porque estavam ali elas em maioria. "São 'aquilo' que as famílias menos querem."

Criou um programa educacional através do desporto e chamou à atenção das Nações Unidas que a desafiaram para trazer o movimento para Portugal. E como descobriu Carolina a discriminação? "Não tenho uma história pessoal, mas ninguém pode afirmar que nunca fez parte da desigualdade de género. Está enraizado na educação e atividades das crianças." Depois de ter colocado os óculos feministas, nunca mais os tirou. Dá, agora, um passo crucial para provocar mais mudança.

O HeForShe Portugal arranca em Cascais com uma exposição e uma conversa noturna onde vários convidados vão contar histórias de discriminação, como o atropólogo Miguel Vale de Almeida, o ativista Paulo Corte Real e a bloguer do Expresso Paula Cosme Pinto. E promete, a seguir, estender-se pelo resto do país. Para dia 25 está marcada uma conferência no ISCTE, em Lisboa. "A ideia não é só ficar centrado em Lisboa. Estamos a planear ir para Porto, Évora e Algarve."