Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

Imã de mesquita do Porto mantém-se como líder da comunidade e recorre de processo judicial

Abelkader Mustaphi irá manter-se como imã da Mesquita Central do Porto, garantiu o próprio ao Expresso. Presidente da comunidade reitera confiança no líder espiritual

Apesar de processo judicial em que foi condenado a pagar uma multa de 1560 euros, devido à utilização de documentos falsos, em 2007, para conseguir a renovação do visto de residência, o imã da Mesquita Central do Porto irá manter-se como líder espiritual da comunidade. O próprio Abelkader Mustaphi confirmou ao Expresso esta informação, recusando, contudo, prestar mais declarações sobre o caso.

O “Jornal de Notícias” revela na sua edição desta quarta-feira que Mustaphi, também conhecido por Abdul Kabir dentro da comunidade, foi condenado por um crime de falsificação de documentos, numa rede de auxílio à imigração ilegal desmantelada pelo Serviço de Estrangeiros e Fronteiras. Fonte próxima do imã diz, porém, que este foi uma “vítima de um esquema” e que irá recorrer da sentença.

O acordão do processo, datado de 24 de fevereiro, a que o “JN” teve acesso, indica que Abelkader Mustaphi, de nacionalidade marroquina, obteve extratos de remunerações falsificados da empresa Grande Caminhada, Lda, então gerida por Bruno Serafim, de 35 anos, considerado o principal arguido do caso judicial.

“Temos muita confiança no Mustaphi. Está perfeitamente integrado, é uma pessoa dada aos trabalhos de solidariedade, para além da tarefa de ser imã”, afirma ao Expresso Abdul Rehman Mangá, presidente da Comunidade Islâmica do Porto. “Nunca o iriamos punir por algo que aconteceu há 10 anos e que consideramos ser uma sentença injusta”, acrescenta.

Pelo que foi possível apurar, Mustaphi terá efetivamente trabalhado na empresa de construção civil de Bruno Serafim naquele período. Tal como era estipulado a nível legal, este terá pedido ao patrão um contrato para entregar na segurança social e desta forma renovar o visto de residência. É neste ponto que existe o problema legal: as declarações passadas pela empresa eram falsas e o imã alega que não tinha conhecimento disso.

Para além de Abelkader Mustaphi, o processo tem ainda outros 12 arguidos, todos imigrantes, que foram apanhados na mesma situação que o imã da Mesquita Central do Porto. Só Bruno Serafim, o responsável por forjar os papéis, foi condenado a prisão efetiva.