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Uber. Mais de 36% dos motoristas estavam empregados

Spencer Platt/GETTY

Estudo pedido pela empresa à Audax e ao ISCTE revela que foi o prazer de conduzir e de conhecer pessoas novas todos os dias que mais motivou a escolha da Uber, tanto para quem já estava empregado e mudou de profissão ou arranjou uma segunda ocupação, como para os que estavam desempregados

Ana Baptista

Ana Baptista

Jornalista

Mais de 36% dos motoristas da Uber em Portugal estavam empregados, alguns com contratos sem termo, quando decidiram aderir a esta plataforma de transporte de passageiros. A conclusão é de um estudo da Audax e do ISCTE, pedido pela empresa para caracterizar o perfil dos seus motoristas e parceiros, e que foi divulgado esta terça-feira de madrugada.

Segundo o documento, 51,1% dos 814 motoristas que a Uber Portugal tem atualmente, estavam - sem grandes surpresas - desempregados, mas 36,4% tinham empregos e a maioria parte deles com contratos sem termo, ou seja, estavam já nos quadros das empresas para onde trabalhavam.

Contudo, isto não significa que todos eles tenham abandonado a sua profissão, muitos escolheram a Uber como segundo emprego para ter mais rendimento extra no fim do mês.

De acordo com o estudo, no topo das motivações para aderir à Uber - tanto para os desempregados como para os que estavam empregados - estão o "prazer de conduzir", o de conhecer pessoas novas todos os dias e ainda a "oportunidade de trabalhar numa empresa internacional conceituada".

As dificuldades financeiras ou em encontrar um emprego surgem apenas como a segunda motivação, a terceira é a procura do rendimento extra e a quarta a procura de maior flexibilidade horária e a "importância de ser o próprio chefe".

O estudo revela ainda que, no caso dos desempregados que aderiram à Uber, 88% estavam à procura de um novo emprego ou de um trabalho complementar, e destes 33% já estavam há mais de um ano à procura. Além disso, dos 51,1%, pelo menos 72% já não estava a receber o subsidio de desemprego e dos que ainda recebiam, grande parte ia deixar de receber em menos de seis meses.

O documento mostra ainda que 95% dos motoristas são homens e apenas 5% são mulheres, que a maioria tem entre 35 e 44 anos e que "apenas menos de 11% dizem que teriam facilidade em encontrar uma oportunidade económica igualmente satisfatória se a Uber deixasse de estar presente nas suas cidades".

Contudo, o nível de remuneração face à situação anterior, seja ela no caso de um desempregado como num de quem já tinha emprego, é o aspecto que os motoristas menos destacam no seu trabalho na Uber.